Equipa do MUHNAC recolhe baleia-anã que deu à costa em praia de Alcobaça

Equipa recolha baleia-anã (Balaenoptera acutorostrata) com cerca de 7 metros que arrojou na Praia Água de Madeiros em Alcobaça e que agora será integrada na Coleção de Mamíferos do Museu.
 

Reportagem no jornal Público (ver anexo)

Bruno Ribeiro, Jorge Prudêncio, Judite Alves, Carlos Delgado e Rogério Abreu. Um geólogo, dois biólogos, um técnico de manutenção e logística e um antropólogo foram os cinco elementos que compuseram a equipa interdisciplinar do MUHNAC-ULisboa que levou a cabo os trabalhos de recolha da baleia-anã na costa de Alcobaça.
 
Os trabalhos tiveram início às 11h00 e terminaram às 20h00. Judite Alves, que coordenou a equipa de trabalho, conta que ao longo do dia «esquartejámos o animal de modo a remover ao máximo a pele, o músculo e as vísceras e seccionámos o corpo em três partes por forma a ser transportado». (reportagem no jornal Público)
 
Um trabalho exaustivo que contou com a «preciosa colaboração» da Câmara Municipal de Alcobaça a quem o MUHNAC-ULisboa agradece, nomeadamente, aos funcionários da Unidade de Ambiente e Espaços Verdes, coordenada pela Engª Cristina Ferreira, que asseguraram o ensacamento e recolha dos desperdícios com uma camioneta da camarária; à Drª Cristina António, Veterinária Municipal da Unidade Veterinária e Saúde Pública, que acompanhou os trabalhos; e ao Pelouro do Ambiente, na pessoa da Drª. Sofia Quaresma, que deu conhecimento ao Museu da presença da baleia-anã na praia Água de Madeiros. O MUHNAC agradece ainda a colaboração da União de Freguesias de Pataias e Martingança que disponibilizou o trator que recolheu as peças.
 
Esta não é a primeira vez que o MUHNAC e a Câmara Municipal de Alcobaça trabalham em conjunto, já que a colaboração, cujo início remonta a 2009, contabiliza já a recolha de cinco animais.
 
Durante os trabalhos de preparação da baleia-anã, a equipa foi alertada para o facto de ter também dado à costa um golfinho comum, o qual foi igualmente transportado para o Museu em Lisboa.
 
Agora no MUHNAC, os esqueletos dos mamíferos serão preparados pelo taxidermista Pedro Andrade para serem incorporados na Coleção Científica de Mamíferos e, à semelhança de outros exemplares da coleção, poderão vir a fazer parte de exposições.
 
Cristiane Bastos-Silveira, curadora da Coleção de Mamíferos explica que «a incorporação deste exemplar (baleia-anã), para além do seu valor científico, ilustra um excelente exemplo da dimensão de algumas espécies animais que poucas pessoas têm a hipótese de conhecer. A montagem e exibição deste esqueleto possibilitarão uma variedade de abordagens educativas a serem apresentadas ao público que visita o nosso Museu».
 
 
Sobre a baleia-anã:
A baleia-anã (Balaenoptera acutorostrata) é a mais pequena e também a mais abundante das baleias. Está amplamente distribuída em ambos os hemisférios. É residente em Portugal e tem sido regularmente assinalada ao longo de todo o ano. 
 
De acordo com o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal, que segue a classificação da IUCN para espécies ameaçadas, a baleia-anã encontra-se na categoria de Vulnerável. A razão para tal é o facto da espécie apresentar um população inferior a 10.000 indivíduos maturos e estar a ocorrer um declínio continuado no número destes indivíduos.
 
Na costa portuguesa a baleia-anã está frequentemente envolvida em acidentes com artes de pesca utilizadas próximo da costa. A grande maioria dos animais arrojados ao longo da orla costeira mostra sinais de interações com redes de emalhar ou cabos de covos ou alcatruzes.
 
 
Sobre a Coleção de Mamíferos do MUHNAC:
A coleção de mamíferos marinhos do MUHNAC é composta por um total de 87 exemplares, dos quais 80 exemplares de Cetáceos (baleias e golfinhos) e sete de Pinipedes (focas). De realçar a existência de um exemplar naturalizado de foca monge (Monachus monahus), uma espécie que em Portugal possui uma população no arquipélago da Madeira.
 
Os 80 exemplares de Cetáceos incluem sete espécies de baleias e nove de golfinhos pertencentes a cinco famílias (Balaenopteridae, Delphinidae, Phocoenidae, Physeteridae e Ziphiidae). 
 
A coleção possui exemplares de três espécies listadas no Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal na categoria Vulnerável. São elas: Phocoena phocoena (Bôto), Balaenoptera acutorostrata (Baleia-anã) e Monachus monahus (Foca monge).