Autómato Vivo: a Vida, um artefacto natural?

Juntamente com o Colóquio Internacional “Natureza, Medicina e Sensibilidade Moderna”, que irá decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian nos dias 19 a 21 de Novembro de 2014, a exposição Autómato vivo – A vida, um artifício natural? no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC), culmina as múltiplas iniciativas empreendidas no âmbito do projecto de investigação “O conceito de natureza no pensamento médico-filosófico na transição do século XVII ao XVIII”, financiado pela Fundação para a Ciência e para a Tecnologia.

Autómato Vivo: a Vida, um artefacto natural?

Quando: 
21 de Novembro de 2014 a 27 de Fevereiro de 2015
Onde: 

Sala Branca Edmée Marques

A exposição "Autómato vivo" visa aprofundar a fecundidade e as dificuldades intrínsecas à noção de vida como o mais belo dos artifícios, cruzando conceitos-chave da filosofia natural dos séculos XVII e XVIII com uma selecção de objectos tecno-científicos e peças de zoologia, mineralogia e botânica do MUHNAC. A estas peças juntam-se duas obras de arte fotográficas, da série Caminhar (2001) de Manuel Valente Alves, e uma instalação de bioarte,
Retrato Proteico (2007) de Marta de Menezes, com o objectivo de criar um espaço de reflexão crítica em torno de novos desenvolvimentos da temática na era da informatização do corpo.

“Na transição do século XVII ao XVIII, a natureza reforça a sua função explicativa [...]. No entanto, a potência de agir da natureza torna-se objecto de controvérsia. Na sua versão hegemónica, o mecanicismo, a natureza é investida de um suplemento de ordem e regularidade: ela é um mecanismo perfeito, mas sem espontaneidade e dinamismo intrínseco. [...]

No entanto, a explicação mecanicista revela-se insuficiente, nomeadamente para explicar os fenómenos próprios da vida. Um organismo vivo pode ser inteiramente reduzido a um simples mecanismo? É um mecanismo especial?

É uma estrutura original, distinta de todo e qualquer mecanismo? Foi principalmente no âmbito da medicina que o debate entre mecanicismo e vitalismo assumiu maiores proporções. De facto, considerada sob o ponto de vista médico, a natureza revela-se mais complexa, variável e contingente do que num plano estritamente mecânico.

A descoberta da célula, em 1838, e os progressos ulteriores das ciências biológicas, [...], encontraram respostas para muitas questões altamente intrigantes, mas, ao fazê-lo, não deixaram de suscitar novas perplexidades. A descoberta da estrutura em hélice das moléculas do ADN em 1953 e o aparecimento da medicina molecular, da engenharia genética, da clonagem humana e da sequenciação do genoma humano, iniciada em 1990 e concluída em 2007, lançaram novos desafios que põem em causa o conceito de humano, ao ampliarem a capacidade de transformar o corpo.”

(Adelino Cardoso e Manuel Valente Alves, “Natureza, Corpo e Artifício”, 2014).

Curadoria

MANUEL VALENTE ALVES E ADELINO CARDOSO

Exposição temporária