A Floresta em Portugal: Os Carvalhos

No mês em que celebramos o Dia Internacional das Florestas (21 de março) destacamos 3 espécies de Carvalhos, no átrio do MUHNAC.

A floresta que hoje reconhecemos como nativa em Portugal tem na sua base a permanência de espécies que se adaptaram quer ao clima mediterrânico do Sul e interior, com bosques que resistem à seca, ao calor e ao fogo, quer à influência atlântica que também se faz sentir neste extremo da Europa e que origina mais humidade no Norte litoral. Destas florestas nativas apenas subsistem vestígios mais ou menos bem conservados.

Os carvalhos, representantes por excelência da família das Fagáceas, juntamente com outros famosos exemplos como o castanheiro ou a faia, são o espelho da grande diversidade das florestas autóctones em Portugal, que respondem, de Norte a Sul, às diferentes exigências climáticas. Todos os carvalhos pertencem ao género Quercus e a bolota é o seu fruto. Estão representados em Portugal pelo sobreiro (Q. suber) e a azinheira (Q. ilex ssp. rotundifolia), maioritariamente no Sul (o sobreiro mais no litoral e a azinheira mais no interior), acompanhados pelo carrasco (Q. coccifera) sobretudo nas regiões calcárias. O carvalho-negral (Q. pyrenaica) segue a persistente azinheira no centro e no interior Norte, enquanto o carvalho-roble (Q. robur) e o carvalho-português (Q. faginea) reinam no centro e litoral Norte, já com influência atlântica. Pontualmente surgem mais duas espécies, o carvalho-de Monchique (Q. canariensis) nas encostas húmidas e frescas do noroeste de África e Península Ibérica, em Portugal confinado à Serra de Monchique, e a carvalhiça (Q. lusitanica) nos terrenos secos e ácidos do centro e litoral Sul.

As espécies melhor adaptadas ao clima mediterrânico, mais quente e seco, são as de folha persistente (sobreiro, azinheira, carrasco, carvalhiça). As espécies de folha caduca (as folhas caem no outono) ou marcescente (as folhas secam agarradas à árvore) habitam as florestas com influência atlântica ou com condições de maior humidade e temperaturas mais baixas (roble, carvalho-negral, carvalho-de-Monchique, carvalho-português).  

É inegável a relevância destas espécies para a preservação sustentável das florestas portuguesas, tendo em conta a sua importância ecológica mas também económica, destacando-se a indústria associada à produção de cortiça (Q. suber). 

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