Lançado guia de “Plantas do Jardim Botânico Tropical”

Jardim Botânico Tropical, em Belém, já tem um guia pensado, escrito e desenhado para o público mas que do ponto de vista científico é também a única referência atualizada sobre a coleção das plantas do JBT.

© César Garcia

Foi lançado no dia 21 de março, Dia Mundial da Floresta, o livro “Plantas no Jardim Botânico Tropical”, da autoria da investigadora Maria Cristina Duarte. A obra, apresentada na cerimónia de lançamento por Fernando Catarino, Professor da Faculdade de Ciências e antigo Diretor do Jardim Botânico de Lisboa, é um guia essencial dirigido ao público onde é possível ficar a conhecer a coleção das plantas do Jardim Botânico Tropical (JBT).

O JBT foi criado em 1906 no âmbito do Reinado de D. Carlos I com o nome de Jardim Colonial tendo como objetivo o ensino da Agronomia Tropical. Para este espaço, que se estende ao longo de sete hectares na zona de Belém em Lisboa, foram trazidas centenas de espécies botânicas oriundas de todas as zonas tropicais onde estiveram os portugueses. Mais de um século passado, o Jardim mantem-se como um museu vivo da flora tropical, reservando uma coleção com cerca de 600 espécies pertencentes a mais de 100 famílias botânicas que podem ser visitadas pelo público.

Como auxiliar de visita, surge este novo guia bilingue que, como explica Cristina Duarte, é importante porque permite salientar «a ligação entre a especificidade da coleção de plantas do JBT, traduzida num elevado número de espécies tropicais com valor económico (fruteiras, medicinais, madeireiras, oleaginosas, entre outras) e a génese do Jardim, criado, no início do século XX, para apoiar o ensino da agronomia tropical».

Para além disso, neste livro o visitante encontra informação sobre «algumas das marcas que permanecem, através do património edificado e artístico, incutidas, desde o séc. XVII, pela história do espaço onde o Jardim se encontra implantado», nomeadamente, o Palácio dos Condes da Calheta, edificado no século XVII.

Ao longo da visita ao JBT e às centenas de espécies botânicas, o visitante é surpreendido pelo Jardim de Macau, o qual foi construído em 1949, após a Exposição do Mundo português - um jardim temático com características orientais onde se encontram espécies asiáticas como os emblemáticos bambus.

Mas existem outras edificações igualmente surpreendentes como a Casa da Direção construída igualmente em 1940 para a mesma Exposição e a Casa do Leão, assim como, 14 bustos de Manuel de Oliveira que reproduzem feições de várias raças e se encontram dispersos pelo Jardim ou a Estufa Principal construída em 1947.

Mas este é um guia especialmente concebido para divulgar o património vegetal, sendo atualmente «a única referência atualizada sobre a coleção das plantas do JBT» e por isso «enquanto espaço público, é fundamental aproximar o Jardim das pessoas e, especialmente, estimular uma maior interação entre o visitante e os valores naturais que ele encerra», pelo que «esta é a melhor forma de promover o interesse pela flora, pondo em evidência a sua importância para a espécie humana e alertando para a necessidade da sua conservação», afirma Maria Cistina Duarte.

Através de uma interessante solução gráfica, da autoria de Tiago Ribeiro, que permite ao visitante orientar-se facilmente ao longo do Jardim, o guia está dividido por canteiros. Associado a cada um dos canteiros é apresentado um mapa numerado que permite facilmente, em termos espaciais, identificar a localização de cada espécie, remetendo em simultâneo para mais informação, como nome científico, nome comum, origem e estatuto de conservação.

Maria Cristina Duarte explica que «o principal desafio foi o de produzir um guia que sendo, por inerência, exaustivo, conseguisse transmitir a informação de forma simples, mas sem perder o rigor científico e de consulta fácil e intuitiva, que pudesse orientar e apoiar o visitante, permitindo-lhe uma visita simultaneamente agradável e proveitosa. Creio que as soluções encontradas permitiram estabelecer um equilíbrio entre a quantidade e detalhe da informação disponibilizada e a dimensão do guia».

Apesar do valor científico, este é um guia essencialmente «pensado para o público em geral, tendo-se restringido, tanto quanto possível, a terminologia científica e incluído informação útil sobre as espécies. A profusa ilustração, para além de tornar a obra mais atrativa, permite mostrar aspetos diversos das espécies, nomeadamente o da floração que, por limitada no tempo, nem sempre os visitantes têm o privilégio de observar».

“Plantas do Jardim Tropical” encontra-se à venda nas lojas do JBT e do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC).