Dobras em rochas com 565 milhões de anos

Dia 22 de abril, celebramos o Dia Internacional da Terra.

A TERRA, com os seus 4570 milhões de anos de idade, é um planeta vivo em constante transformação.

As mutações sucedem porque as placas que integram a litosfera - nos continentes ou nos fundos marinhos – nunca pararam de se movimentar desde que, há cerca de 2500 Ma, a tectónica de placas passou a ser o processo determinante na evolução do planeta.

Toda esta geodinâmica é induzida por correntes de convecção que se desenvolvem sob a litosfera, em resultado do grau de viscosidade em que as rochas se encontram e da menor temperatura na parte superior do manto, imediatamente abaixo da litosfera.

Nesse constante movimento, as placas tectónicas afastam-se ou aproximam-se, chocam ou fragmentam-se. E assim se foram abrindo e fechando oceanos, gerando-se riftes ou cadeias de montanhas e agrupando, por seis vezes, todas as massas continentais num só supercontinente. O último, designado por Pangea, atingiu a sua maior dimensão há 252 Ma.

Embora a escala da vida humana não nos permita apreender estes processos na sua totalidade, vamo-nos confrontando com as suas manifestações pontuais à escala global: sismos, tsunamis e vulcões ativos. Ao longo do tempo, esta dinâmica cíclica foi gerando rochas ígneas, metamórficas e sedimentares e registou as marcas da sua cinemática nas formações rochosas pré-existentes: falhas geológicas normais, inversas e desligamentos; dobras (anticlinais /sinclinais e sinformas /antiformas).

E toda esta geodinâmica provocou modificações nas geografias do nosso Planeta, nas circulações oceânicas e atmosféricas e, em consequência, nos sucessivos climas e na evolução da vida que tem habitado o planeta.

Para assinalar o Dia Internacional da Terra -que se comemora a 22 de abril- deixamos, à vossa observação, este excepcional exemplar composto por metaliditos (rocha metamórfica constituída por quartzo microcristalino, rico em matéria orgânica, originada em bacias sedimentares oceânicas) com 565 Ma. Foram dobrados por efeito de ações de compressão aquando da formação das montanhas relativas às Orogenias Cadomiana (650-550 Ma) e Varisca (380-280 Ma) que afectaram o território onde hoje se situa o Alto Alentejo (Portugal).

Ma = milhões de anos
 

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