Homenagem ao Professor Fernando Portela-Gomes

MUHNAC recebe espólio científico de Professor Fernando Portela-Gomes e destaca a importância da doação com apresentação de objetos no átrio do Museu, onde estarão expostos ao público nos próximos seis meses.

Realizou-se hoje uma breve homenagem ao Professor Fernando Portela-Gomes (1908-1975), assinalando-se a doação pela família, do espólio científico do Professor ao MUHNAC.
 
Na presença das suas filhas, Maria Leonor e Guida Maria Portela-Gomes, descerrou-se uma pequena mostra dessa coleção no átrio do Museu. A coleção é composta por cerca de 120 objetos, desde ferramentas de trabalho, publicações e materiais osteológicos relacionados com a investigação em anatomia. O seu núcleo principal tem origem na investigação sobre o “Labirinto Ósseo do Homem”. Este estudo, focado no ouvido interno, baseou-se na observação de dezenas de exemplares de ossos temporais de fetos, crianças e adultos, aplicando-se várias técnicas na execução desse trabalho.
 
Concluindo que o labirinto ósseo tem semelhantes dimensões em fetos e adultos, mandou realizar um modelo em bronze – uma ampliação de mil vezes do labirinto ósseo de um feto – peça singular, agora exposta no átrio do Museu.

 

Sobre o Professor Fernando Portela-Gomes (1908-1975):

Foi um médico português e professor de anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Entre os anos 1950-1970, Portela-Gomes fez uma importante investigação sobre o ouvido humano. Tendo como ponto de partida o osso temporal e o ouvido interno, onde está localizado o labirinto ósseo, a investigação contemplou mais de uma centena de observações de materiais ósseos de fetos, crianças e adultos, recolhidos na Maternidade Alfredo da Costa, Hospital de S. José, e nos Institutos de Anatomia Normal de Lisboa, Luanda e Lausanne. Aplicou técnicas como escultura e cortes sobre o osso seco que permitiram a utilização de fio de nylon nos canais semicirculares e a determinação das respetivas dimensões. Adicionalmente, produziu moldes do labirinto ósseo em acrílico e liga metálica, que evidenciam a posição relativa e a morfologia do labirinto.
 
O trabalho de Portela-Gomes mostrou que as dimensões do labirinto ósseo são semelhantes num feto e num adulto. A investigação, intitulada “Labirinto Ósseo do Homem” e inicialmente realizada para concurso a professor catedrático da Faculdade de Medicina, mereceu o 2º lugar do Prémio Pfizer em 1968.
 
Portela-Gomes mandou realizar uma escultura em bronze, que corresponde a uma ampliação de 1000 vezes de um molde de labirinto ósseo de um feto, permitindo uma visão tridimensional. Terá sido também utilizada como material de ensino.
No ano em que passam 50 anos sobre a realização do estudo sobre o Labirinto Ósseo do Homem, assinala-se e agradece-se a doação, pela família, do espólio científico do Professor Fernando Portela-Gomes ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência.