The Future Breath

Da artista plástica Chiara Antonietti  

Quando: 
2 de Março de 2018 a 31 de Março de 2018
Onde: 

Laboratório de Química | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

A Terra respira no Laboratório de Química Analítica

Ao questionar-se a relação da obra com o espaço perpetua-se um diálogo entre a matéria, a forma e a sua envolvência. Nesta exposição onde a construção dos objectos é a consequência de um jogo introspectivo da artista plástica Chiara Antonietti  com a sua criatividade e adequação ao espaço que se contrapõe ao seu trabalho sempre provocatório reflectindo um percurso  artístico em permanente diálogo com o espectador, interpelado pelas sensações  e ideias que o transportam para um quotidiano repleto de perigos ambientais.

A temática da exposição Earth breath permanece fiel a uma linha condutora ténue mas consistente que expõe uma narrativa de forma hermética, com um enquadramento amplo mas sempre intimista. As preocupações ambientais são evidentes e reflectem-se ao longo da exposição com o levantar de questões sobre a poluição e a relação entre o Homem e a Terra.

Citando a artista “Um estudo realizado em Telavive mostra como os cientistas descobriram que as microalgas verdes unicelulares que estavam em qualquer grupo de água estagnada, liberavam hidrogénio durante a fotossíntese. Para sua surpresa, os investigadores descobriram que, mesmo à luz do dia, quando o processo de fotossíntese ocorre, as algas produzem grandes quantidades de oxigénio e também emitem uma pequena quantidade de hidrogénio. Fica claro que as algas têm um enorme potencial ainda não utilizado para a produção de hidrogénio.”

O vidro é o material utilizado pela artista na realização dos seus trabalhos. Os espelhos gravados têm o mesmo tamanho dos azulejos da sala, a escolha de 15x15cm tem como intenção ser um tributo/diálogo com o artesanato português, como refere Chiara Antonietti.  Este frágil material  que contrasta com a austeridade da sala, outrora um laboratório de química analítica, com as suas paredes de azulejos brancos e bancadas monocromáticas, local aparentemente  asséptico mas ideal para expor objectos de vidro.  As algas gravadas nos óculos químicos pyrex são algas marítimas assim como as diatomeas e o plâncton. As gravuras em espelhos são matérias de folhas e árvores que interagem com o parque botânico do museu.

O processo criativo da artista é o da experimentação contínua ao induzir a aceleração da passagem do tempo para forçar a mudança física dos diferentes materiais que utiliza com a intenção da criação de novos significados. O trabalho de Chiara Antonietti balança entre a técnica e a natureza onde pretende alcançar uma beleza sedutora transparente, que dá à luz a nova vida da destruição e decomposição ecoando as profundezes do tempo e da natureza da criação.

O Museu com estas exposições em permanente diálogo entre a arte e a ciência pretende não só angariar novos públicos como também sensibilizar os visitantes do museu para os problemas ecológicos e ambientais.

“ A arte é mais do que nunca uma libertação, um exercício de ascetismo. Através dela o artista torna-se purificado de si próprio e, por fim, da sua arte.” (Susan Sontag).

Sofia Marçal

 

Exposição de Arte e Ciência