Exposição SPECERE convida público a “olhar” a diversidade do mundo natural

1000 espécimes numa exposição de História Natural

Um peixe capturado numa expedição do Rei D. Luís, um outro cuja origem é a Antártida, um mocho (Bufo-real) coletado em 1886 em Fornos de Algodres ou uma Cobra-lisa-meridional que data 1862, são alguns dos espécimes mais curiosos presentes na exposição SPECERE e que carregam consigo a história da história natural.

Transformámos um corredor do MUHNAC numa exposição. Convidamo-lo a percorrer 60 metros ao longo dos quais poderá ficar a conhecer mais de 1000 espécimes que “saltaram” das reservas de coleções para o olhar do público, dando desta forma corpo à exposição SPECERE, que inaugura dia 28 de março, às 18h00, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa).

As coleções de história natural são normalmente conhecidas pela sua beleza e diversidade. Não tanto pelo potencial de transmissão de conhecimento e muito menos pela sua aplicação no nosso quotidiano como em estudos sobre alterações climáticas, saúde pública, biossegurança, monitorização ambiental, prospeção de produtos farmacêuticos e de novos recursos, ciência forense, entre outros.

Neste sentido, esta exposição tem como objetivo dar a conhecer ao público a diversidade das coleções de história natural do MUHNAC e do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) – compostas por um total de 1,3 milhões de espécimes, incluindo coleções geológicas, botânicas e zoológicas – mas também o trabalho diário de preparação e preservação necessários para a sua manutenção e, acima de tudo, destacar a importância e utilidade que estas têm para a ciência e para a sociedade.

Judite Alves, Comissária Científica da exposição e responsável pelo Departamento de História Natural do MUHNAC, explica que a principal novidade desta exposição é a «abordagem», ou seja, noutras exposições «os espécimes são normalmente mostrados enquadrados numa problemática específica de cada exposição, mas aqui o foco são mesmo os espécimes e o valor científico que cada um encerra».

Por isso «é importante as pessoas compreenderem a razão do investimento que se faz para manter estas coleções e perceberem, por um lado, que as coleções são parte do nosso património científico e cultural, mas também que tem um valor concreto para a sociedade, já que permitem abordar questões muito relevantes para a sociedade como as alterações globais, a conservação da biodiversidade, a monitorização ambiental, só para mencionar algumas».

Rochas, minerais, fósseis, aves e mamíferos naturalizados, conchas, insetos, folhas de herbário, coleções em meio líquido incluindo invertebrados marinhos, peixes e répteis e anfíbios são alguns dos espécimes de coleções do MUHNAC e do IICT que estarão patentes na nova exposição SPECERE, a qual na sua construção envolveu 21 curadores de coleções de história natural.

 

SPECERE = A palavra espécime vem do latim specimen, que é formada pela raiz do verbo specere (olhar) e o sufixo - men, significando assim o “resultado de olhar”. O título SPECERE pretende, por um lado, convidar o público a “olhar” a diversidade do mundo natural representada nas nossas coleções e, por outro lado, refletir a importância do “olhar” na construção do conhecimento científico.