Mensagem do Diretor a propósito da reabertura do Jardim Botânico de Lisboa

Mensagem do Diretor dos Museus da Universidade de Lisboa

No final da ação "A Corda pelo Botânico". 19 de outubro de 2013.

Após a realização da cerimónia oficial de reabertura do Jardim Botânico de Lisboa, creio ser chegado o momento adequado para passarmos em revista o processo que originou este projeto e aduzir de forma genérica os créditos e agradecimentos aos vários grupos de intervenientes que otornaram possível, antes que a passagem do tempo possa dar origem a uma narrativa deturpada.
O projeto desenvolvido pela Câmara Municipal de Lisboa no Jardim Botânico resultou, como bemfrisou o vereador Sá Fernandes na cerimónia oficial, da vontade da população de Lisboa, expressaatravés do Orçamento Participativo (OP) da cidade.
 
A candidatura, apresentada e animada pelos Museus da Universidade, resultou então de uma orientação direta do Reitor António Sampaio da Nóvoa. O motivo principal não tinha a ver com uma intenção financeira (conseguir que a CML investisse na recuperação do Jardim), mas sim com o objetivo mais ambicioso de conseguir provar que o Jardim Botânico, que não era municipal mas sim universitário, congregava um forte apoio e interesse por parte dos lisboetas.
 
Esta orientação resultava do entendimento de que a existência de uma boa e prolongada colaboração entre instituições como o Município e a Universidade não deveria resultar apenas do entendimento e de boas relações entre os seus dirigentes, mas que se deveria alicerçar num forte eco entre a população.
 
A primeira candidatura deste tipo promovida pela Universidade de Lisboa teve como objeto a recuperação da Alameda da Cidade Universitária, com um projeto de € 800.000, e conseguiu ser aprovada, ficando em segundo lugar no OP de 2011, com 1.672 votos.
 
A primeira candidatura para a recuperação do Jardim Botânico teve lugar no OP de 2012, conseguindo 1.702 apoiantes. Este número de votos teria sido suficiente para conseguir a aprovação em qualquer das edições anteriores, mas neste ano, o nível de participação no OP subiu e os votos conseguidos pelo jardim deram origem a um quinto lugar, não elegível para concretização.
Esta candidatura foi renovada no OP de 2013, promovendo-se uma fortíssima campanha, que resultou num incontestado primeiro lugar, com 7.553 votos. Esta votação era a maior de sempre do Orçamento Participativo de Lisboa, mantendo este lugar até ao OP de 2016, ano em que duas candidaturas obtiveram 9.477 e 8.666 votos. Até hoje, a candidatura da Jardim Botânico ainda se mantém entre as três candidaturas mais votadas de sempre. A recuperação deste Jardim mantém-se igualmente como a candidatura mais votada entre todas as que foram promovidas pela Universidade de Lisboa.
 
Este resultado só foi possível com a intensa e concentrada campanha “Mais Botânico”, que incluiu campanhas de rua, uma festa, “O Jardim Botânico em festa”, no dia 20 de setembro de 2013, uma série de cinco feiras semanais entre 21 de setembro e 26 de outubro (Jardim da Celeste: mais jardinagem no Botânico, Mil Folhas: mais livros no Botânico, Raízes e Números: mais matemática no Botânico, Pés e Feijões: mais jogos e movimento no Botânico, A Cidade e as Serras: mais natureza e seus produtos no Botânico e A Loja do Mestre André: mais artesãos no Botânico), e o principal evento âncora, “A Corda pelo Botânico”, que reuniu mais de quatrocentas pessoas para formar um cordão humano, unindo a Praça da Alegria ao Príncipe Real através do Jardim Botânico, na tarde do dia 19 de Outubro.
 
Este programa de eventos de mobilização envolveu todo o Museu e um largo conjunto de apoiantes dentro e fora da Universidade. Dezenas de figuras públicas, pessoas do teatro, cinema e televisão, políticos de vários quadrantes, artistas, arquitetos e outros profissionais, autores, associações várias, grupos folclóricos, professores e estudantes aderiram e apoiaram o programa “Mais Botânico”, mostrando a capacidade de penetração do Museu em grupos sociais muito mais amplos que o constituído pelos corpos docente e discente universitários.
 
É ao pessoal do Museu e do Jardim Botânico (funcionários, bolseiros e voluntários, incluindo muitos que entretanto se reformaram ou rumaram a outras instituições) e a todo este conjunto de apoiantes, assim como aos técnicos que apoiaram graciosamente o Museu na discussão do projeto a executar pela CML, que são devidos os maiores agradecimentos.
 
Depois da cerimónia oficial e quando todas as obras tiverem sido de facto concluídas, é nossa intenção promover uma Festa da Reabertura do Jardim, onde celebremos a nossa gratidão e reconhecimento a todos os que tornaram possível a renovação do Jardim Botânico de Lisboa.
 
Lisboa, 8 de maio de 2018
José Pedro Sousa Dias