O caranguejo-ferradura

Para celebrar o Dia Mundial dos Oceanos (8 junho) no mês de junho apresentamos um representante do mais antigo grupo animal que ainda vive na Terra (Merostomata), que surgiu há cerca de 400 milhões de anos.
O caranguejo-ferradura do Atlântico é um artrópode quelicerado que, apesar do seu nome, está mais próximo das aranhas e escorpiões do que dos caranguejos. O seu nome científico é Limulus polyphemus, e é representante do mais antigo grupo animal que ainda vive na Terra (Merostomata), que surgiu há cerca de 400 milhões de anos. Esta espécie é considerada um fóssil vivo, pois evoluiu muito pouco durante os últimos 250 milhões de anos. O seu tempo médio de vida é de 20 a 40 anos, habitando o Atântico Oeste, junto à costa Leste dos Estados Unidos da América, até ao Golfo do México.
 
Durante a época de reprodução estes animais chegam, aos milhares, nas marés altas de noites de lua nova e cheia, às praias para desovar. As fêmeas põem em média 20.000 ovos, em covas feitas por elas, na areia da praia; as larvas eclodem após duas semanas. Os caranguejosferradura juvenis passam geralmente os dois primeiros anos de vida nas águas marinhas costeiras, onde a comida é abundante e a salinidade é baixa. Migram depois para águas mais profundas, onde permanecem até se tornarem adultos e estarem prontos para se reproduzirem.
 
Estes animais têm a capacidade de regenerar os seus membros, como fazem por exemplo as estrelas-do-mar. Apresentam vários olhos dorsais, dois compostos usados especialmente para encontrar parceiros, e os restantes adaptados para  sincronização circadiana e processamento visual da informação. Têm ainda dois olhos simples ventrais que ajudam o animal a orientar-se durante a sua deslocação.
 
Esta espécie é considerada como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas do IUCN. No entanto, devido às propriedades antibacterianas do seu “sangue-azul” (hemolinfa), estes animais são muito usados pela indústria farmacêutica. Os animais são capturados para extracção sanguínea, o que pode render 2000-3000 Euros por individuo. Apesar dos animais serem depois devolvidos à natureza, apresentam uma mortalidade entre 10-15%.