Barbatana de Uacariguaçu

Restos de um peixe uacariguaçu, enviado por Rodrigues Ferreira em 20 de abril 1786 para o Real Museu.

Em abril de 2015 celebram-se os 200 anos da morte de Alexandre Rodrigues Ferreira (Baía, 27 de abril 1756 – Lisboa, 23 de abril 1815), um dos mais notáveis naturalistas luso-brasileiros de finais do século XVIII. Distinguiu-se no comando de uma longa exploração científica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá no Brasil, entre 1783 e 1792.

No final de Setecentos, a Coroa portuguesa patrocina uma vasta e inédita empreitada científica: as ‘viagens filosóficas’ às colónias ultramarinas (entre outras, ao Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde) para estudar os inúmeros recursos naturais locais, até então praticamente inexplorados. Formado na Universidade de Coimbra, Rodrigues Ferreira é nomeado, em 1778, para chefiar a comissão científica encarregada de empreender viagem pelo Brasil.

A expedição, sob o seu comando, partiu de Lisboa em setembro de 1783. Durante 9 anos, percorreu a bacia do Amazonas, chegando ao Mato Grosso. O trabalho de recolha, estudo e descrição conduziu à remessa de uma quantidade invulgar de material científico (memórias, desenhos, espécimes zoológicos, botânicos e mineralógicos) para o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda.

Concluída a missão em meados de 1793, Rodrigues Ferreira regressou a Lisboa e dedicou-se à administração metropolitana. Morreu em abril 1815, sem nunca retomar o estudo das espécies e amostras recolhidos no Brasil.

O MUHNAC preserva, desde 1858, parte do riquíssimo acervo produzido, no âmbito desta viagem: são perto de 600 fólios manuscritos de registos sobre fauna, flora e habitantes da região amazónica; um herbário de 1260 exemplares botânicos e um conjunto de cerca de 215 desenhos, de extraordinária qualidade, representando animais, plantas, pessoas, ervas medicinais, árvores, frutos, sementes, artefactos etnográficos, paisagens, grutas, aldeias, vestuário e fortificações.

Dos exemplares remetidos, o MUHNAC apenas conserva os restos de um peixe uacariguaçu, enviado por Rodrigues Ferreira em 20 de abril 1786 para o Real Museu. Este exemplar fora presente do capitão-general do Pará, João Pereira Caldas (1724-1794) ao naturalista português. Esta barbatana foi recuperada nos vestígios do incêndio de Março de 1978 que destruiu as coleções zoológicas e antropológicas do Museu.