Coleção de Antropologia Ferraz de Macedo

Este mês celebram-se os 170 anos do nascimento de Francisco Ferraz de Macedo, um dos pais da antropologia em Portugal.

Coleção: 

A coleção Ferraz de Macedo foi doada, em 1907, à Seção Zoológica do Museu, pelo médico e antropólogo português Francisco Ferraz de Macedo (1845-1907). Constituída por mais de mil crânios e várias dezenas de esqueletos, provenientes de cemitérios de Lisboa, foi na época a primeira coleção de esqueletos identificados em Portugal.

Formado em Farmácia e Medicina, Ferraz de Macedo dedicou-se desde muito cedo aos estudos antropológicos, com destaque para a osteologia, as mensurações antropométricas e a criminologia. Sem nunca alcançar a docência, ocupou o cargo de Diretor dos Serviços Antropométricos e Fotográficos do Juízo de Instrução Criminal de Lisboa já em final de vida.

A descrição detalhada e rigorosa da morfologia craniana do homem comum português levou-o a concluir, contestando a teoria de Cesare Lombroso (1835–1909), que o crânio do homem criminoso e do homem não-criminoso não diferiam e que não era possível identificar tipos de criminosos apenas pela capacidade craniana. O uso pioneiro de novas técnicas de medição e de análise estatística confere a Ferraz de Macedo um lugar central na história da Antropologia e Criminologia em Portugal.

Da coleção doada em princípios do século XX, sobrevivem, em consequência do incêndio de 1978, que destruiu grande parte das coleções zoológicas deste Museu, apenas 30 crânios e o livro de medidas craniométricas exposto. Todavia, a atual Coleção de Antropologia do MUHNAC no seu todo é formada por vários outros acervos, entre os quais um valioso conjunto de 1700 esqueletos completos, provenientes de cemitérios de Lisboa. Esta coleção, iniciada em 1981 por Luís Lopes e mais tarde continuada por Hugo Cardoso, encontra-se entre as mais extensas e bem documentadas do mundo.