Holótipo da espécie de amonite Vascoceras gamai descrito por Paul Choffat em 1898

Dados como destruídos no incêndio de março de 1978 no MUHNAC, foram redescobertos em bom estado de conservação.

Os holótipos das espécies de amonite Vascoceras gamai e Vascoceras barcoicense, descritas por Paul Choffat, no final do século XIX, dados como destruídos no incêndio de março de 1978 no Museu Nacional de História Natural, em Lisboa, foram redescobertos em bom estado de conservação. Esta descoberta foi publicada agora na revista “Cretaceous Research” como resultado de um trabalho de investigação em colaboração com diversas instituições. Fernando Barroso-Barcenilla, da Universidade de Alcalá de Henares (Espanha), José Manuel Brandão, da Universidade de Évora, Pedro Miguel Callapez, da Universidade de Coimbra, e Vanda Santos, do MUHNAC, reabilitaram estes holótipos do Cretácico Superior, restituíram e justificaram o seu estatuto de holótipo (ou espécime-tipo) e, assim, o seu valor científico internacional, reintegrando-os no património da Universidade de Lisboa.

Paul Léon Choffat (Porrentruy, Suíça, 14 de março de 1849 - Lisboa, 6 de junho de 1919) veio para Portugal em 1878, acedendo a um convite para ocupar um posto de geólogo na Comissão Geológica do Reino. Da vasta obra científica aqui desenvolvida, destacam-se, em particular, os estudos monográficos sobre a Estratigrafia e a Paleontologia do Mesozoico, alicerçados no amplo conhecimento que já detinha sobre o Jura francês. Contudo, a sua obra reparte-se igualmente pela cartografia geológica, pela tectónica, e pela Geologia Aplicada.

Sublinhe-se que, volvidos mais de cem anos, muitos dos seus trabalhos continuam a ser referências científicas obrigatórias naqueles domínios, a que acresce, em muitos deles, um particular valor enquanto documentos para a história das Geociências em Portugal, de que foi um dos maiores vultos.