Nova espécie de lagarto descoberta no sul de Angola

Equipa de cientistas Angolanos, Britânicos e Sul Africanos que descobriram recentemente uma nova espécie de lagarto nomeado lagarto-espinhoso-do-Kaokoveld (Cordylus namakuiyus)

Luís Ceríaco, curador das coleções herpetológicas do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) integrou uma equipa de cientistas Angolanos, Britânicos e Sul Africanos que descobriram recentemente uma nova espécie de lagarto nomeado lagarto-espinhoso-do-Kaokoveld (Cordylus namakuiyus), cuja descrição foi agora publicada na revista científica internacional Zootaxa. Leia aqui o artigo.

A descoberta desta nova espécie foi feita em 2013 durante uma expedição.

Endémica da província do Namibe, a nova espécie habita os conglomerados rochosos espalhados pela zonas semi-desérticas da província, contrastando com a sua espécie irmã, o Cordylus machadoi, que apenas ocorre em zonas de altitude na escarpa da Huíla. São várias as diferenças entre as duas espécies: coloração, número de escamas, tamanho e genes. Mas é nas escamas especiais que estes animais possuem – os osteodermes – que as espécies apresentam a mais espetacular diferença. Os osteodermes são um tipo de escamas especiais, mais fortes, espinhosos e densos, que conferem uma aparência de armadura espinhosas a este género de lagartos. Através de análise por tomografia computorizada (semelhantes aos TACs feitos nos hospitais), a equipa conseguiu perceber que a nova espécie apresenta um revestimento praticamente total destas escamas no corpo, enquanto a sua espécie irmã só apresenta este revestimento nas zonas dorsais. Os cientistas acreditam que esta adaptação têm a ver com a diferença de habitat em que ambas as espécies existem – enquanto o lagarto-espinhoso-do-Kaokoveld ocorre num ambiente mais árido e aberto, com menos zonas de refúgio e proteção durante a movimentação do animal, o habitat a espécie irmã, o lagarto-espinhoso-de-Machado, tem vegetação e rochas em abundância, que permite que o animal passe mais despercebido e precise de menor proteção.

Estima-se que o número total de espécies de anfíbios (sapos e rãs) em Angola seja de aproximadamente 110, subindo para 300 no caso dos répteis (tartarugas, crocodilos, lagartos e serpentes). No entanto, este número encontra-se em constante crescimento, através de expedições que descobrem cada vez mais espécies novas para a ciência.