Sweet series

Exposição de Rui Soares Costa

Quando: 
8 de January de 2016 to 31 de January de 2016
Onde: 

Sala Sacarrão | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

O conceito em torno do qual gravita a Sweet series é o tempo e a sua relação com a memória. Se a Pintura tende a ser intemporal, imutável, impermeável à noção de tempo, estas peças apropriam-se do tempo enquanto ferramenta de trabalho. No lugar de uma Memória-contentor, lugar onde se armazenam elementos associados a um dado momento, temos uma Memória essencialmente reconstrutiva, dependente do contexto. Memória que não armazena tempo mas que vive no tempo em que acontece e com o tempo onde se constrói. Estas peças são assim a memória de um processo, de um contínuo que permanece em aberto. Incorporam a narrativa temporal para fazer pinturas temporais, mutáveis.

O ponto de partida da Sweet series são materiais orgânicos (madeira e açúcar) a que se juntam vernizes. O resultado são pinturas vivas que evoluem com o passar do tempo. Embora lento, este processo obedece a um ciclo de vida. As pinturas nascem, crescem e eventualmente morrem. A mudança é lenta, pelo que a escala deste envelhecimento é humana. O resultado são pinturas evolutivas, diferentes hoje do que foram no passado e do que serão no futuro.

Este conjunto de trabalhos resulta de uma equação com um conjunto pré definido de parâmetros. Como em qualquer tentativa de chegar a uma equação elegante, é fundamental que haja parcimónia. Vários parâmetros são mantidos constantes para que se possa observar a interação dos restantes. A dimensão e o suporte das peças são mantidos constantes - contraplacado sobre estrutura de madeira, 200 X 140 X 5 cm. Os materiais utilizados são açúcares e vernizes. O parâmetro “tipo verniz” é mantido constante com a utilização de verniz marítimo (com exceção de uma peça onde são utilizados dois tipos de vernizes). As variações decorrem, portanto, essencialmente do parâmetro “quantidade açúcar” e do parâmetro “tipo açúcar”, bem como do parâmetro “quantidade verniz” que controla o nível de saturação do verniz sobre os açúcares.

As pinturas desta Sweet series são acompanhadas por uma banda sonora original de André Gonçalves. Fazendo uso da sua Musica Eterna, André Gonçalves cria um ambiente orgânico imersivo para acompanhar as pinturas em mutação. A Musica Eterna é concebida de forma a nunca se repetir. Usa um conjunto pré determinado de elementos que são compilados por um software para criar uma banda sonora infinita, sempre diferente. Cada momento é absolutamente efémero. As pinturas evoluem, a banda sonora acompanha essa metamorfose. E continuará a tocar pela eternidade.

A combinação das pinturas desta Sweet series com a Musica Eterna transporta-nos para paisagens abstratas, orgânicas e etéreas.

Exposição temporária