Árvore-do-imperador | Royal tree

Objeto do mês - novembro 2022

Oriunda do Brasil, esta espécie encontra-se ameaçada de extinção devido à destruição do seu habitat. Apresenta um Estatuto de Conservação EN (em Perigo) pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A espécie foi pela primeira vez detetada na Serra do Corcovado, um dos morros da cidade do Rio de Janeiro e onde se encontra atualmente a estátua do Cristo Redentor. Foi em 1817 que o botânico alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, fazendo parte da comitiva da arquiduquesa austríaca Leopoldina que viajava para o Brasil para se casar com Dom Pedro I, detetou a espécie na Serra do Corcovado tendo ficado maravilhado com a beleza da árvore. O epiteto específico da espécie “imperialis” é da autoria deste botânico em homenagem ao imperador D. Pedro I, um apreciador dos frutos, bem como depois o seu filho D. Pedro II.

A árvore pode atingir 20 a 30 m de altura, as folhas são grandes, espessas e brilhantes, de margem serrilhada, as flores são pequenas e claras e os frutos amarelado muito saborosos, (floresce em novembro, frutificando em junho-julho), sendo muito apreciados por roedores (ex. cutias), mas também por macacos, uma das razões da planta ser bastante rara na natureza. No entanto, como acontece em Portugal com algumas espécies (especialmente o esquilo-vermelho), há animais que armazenam no solo reservatórios de alimentos e, neste caso, as cutias enterram as sementes e são ótimas agentes de dispersão da espécie. A árvore-do-imperador já era rara no século XIX: foi outrora muito comum na Serra do Corcovado, mas foi praticamente extinta no local devido à ação dos carvoeiros, uma vez que a sua madeira, dura e densa, era muito utilizada para carvão e em marcenaria naval. Uma outra razão para o seu declínio foram motivos políticos: os Republicanos tentaram extinguir a espécie, especialmente de jardins e outros espaços, porque era um símbolo do imperador.

A área de distribuição nativa da espécie são as encostas de floresta húmida do Rio de Janeiro (Mata Atlântica) e o Vale do Rio Doce em Minas Gerais.

A planta foi premiada na exposição de Paris em 1867, na coleção do Jean Jules Linden e foi a base para o imperador D. Pedro II (muito culto e amante de Botânica e História Natural) começar a divulgar a espécie como símbolo do Brasil pelo mundo e a presentear alguns Jardins Botânicos com esta espécie, como o Royal Botanical Garden de Sidney, o Jardim Botânico de Buenos Aires, o Jardim Botânico de Bruxelas, o Jardim Botânico de Florença e o Jardim Botânico de Lisboa, todo estes Jardins com espécimes centenários.

A planta deste Jardim terá sido, assim, oferecida por D. Pedro II do Brasil ao Conde de Ficalho (primeiro Diretor), tendo já frutificado várias vezes e sido possível multiplicar a planta e distribuir por outros espaços, nomeadamente o Jardim Botânico Tropical e o Jardim da Fundação de Serralves, sendo missão do Museu Nacional de História Natural e da Ciência a propagação desta plantas nos seus viveiros, tal como outras espécies.

 

Royal tree

Originally from Brazil, this species holds na Endagered (EN) status by the International Union for Conservation of Nature (https://www.iucnredlist.org/species/35377/9929841) due to the destruction of its habitat. The species was first detected in Serra do Corcovado, the hill in the city of Rio de Janeiro where the statue of Christ the Redeemer is currently located.

It was in 1817 that the German botanist Carl Friedrich Philipp von Martius detected the species in Serra do Corcovado and was amazed by the beauty of the tree, while chaperoning the Austrian Archduchess Leopoldina who was traveling to Brazil to marry Dom Pedro I. The specific epithet of the species “imperialis” was given by this botanist in honor of Emperor D. Pedro I, a lover of this fruit, as well as his son, D. Pedro II.

The tree can reach 20 to 30 m in height and the leaves are large, thick and shiny, with serrated margins. The flowers are small and whitish and the yellowish fruits are very tasty (it blooms in November, fruiting in June-July), being much appreciated by rodents (eg agoutis) but also by monkeys, one of the reasons why the plant is quite rare in nature. However, as it happens in Portugal with some species (especially the red squirrel), some animals store food reservoirs in the soil and, in this case, the agoutis bury the seeds and are excellent agents for the species' dispersion. The royal tree was already rare in the 19th century: it was once very common in the Serra do Corcovado, but it was practically extinct due to the action of the charcoal burners, since its hard and dense wood was often used for charcoal, or in shipbuilding. The species decline had also political reasons: Republicans tried to extinguish the species, especially from gardens and other spaces, because it was a symbol of the Brazilian emperor.

The species' distribution area includes the humid forest slopes of Rio de Janeiro (Atlantic Forest) and the Rio Doce Valley in Minas Gerais.

The plant was awarded at the Paris exhibition in 1867, within the collection of Jean Jules Linden and this was the trigger for Emperor D. Pedro II (a literate and lover of Botany and Natural History) to start promoting the species as a symbol of Brazil around the world. Consequently, he presented some Botanic Gardens with this species, such as the Royal Botanic Garden in Sydney, the Botanic Garden in Buenos Aires, the Botanic Garden in Brussels, the Botanic Garden in Florence and the Botanic Garden in Lisbon, all of these Gardens holding now centenary specimens.

The plant in this Botanic Garden was, therefore, offered by D. Pedro II of Brazil to the Count of Ficalho (the first Director). It fructified several times and was distributed through other conservation gardens in Portugal, namely the Tropical Botanic Garden and the Serralves Foundation Garden, being the mission of the National Museum of Natural History and Science to continue propagating this species plants and others in nurseries.

 

Texto de I Text by: César Garcia (Curador da coleção de briófitos - Herbário LISU  | Curator of the Bryophyte collection - LISU Herbarium)
Fotografia de I Photo by: César Garcia
 

Legenda da fotografia | Photo subtitle

Chrysophyllum imperiale (Linden ex K. Koch & Fintelm.) Benth. & Hook. f.
Família Sapotaceae | Family Sapotaceae
Nome vulgar | Common name: Árvore-do-imperador; Guapeba; Guapeba-imperial; Guapeba-preta; Marmeleiro do Mato | Royal tree; Guapeba; Guapeba-imperial; Guapeba-preta; Marmeleiro do Mato

 

PROGRAMA ALARGADO

17 novembro | 15h00
144 anos de Jardim, plantas emblemáticas do Jardim Botânico de Lisboa.

Visita orientada ao Jardim Botânico de Lisboa.
Mais informações disponíveis aqui.

Inscrições:
geral@museus.ulisboa.pt