Extinto das nossas águas: o esturjão

Objeto do mês - setembro 2022

Foto @ Luís Filipe Lopes

No mês em que se assinala o Dia Mundial dos Rios, destacamos uma espécie outrora muito abundante nos rios da Europa mas agora considerada Criticamente em Perigo, o esturjão.

O esturjão ou solho-rei, que no passado tinha uma distribuição vasta, desde a Noruega até ao golfo da Biscaia, encontra-se atualmente restrito ao Atlântico ocidental, com apenas uma população reprodutora no delta do Garona, em França. Em Portugal, este gigante migrador, de nome científico Acipenser sturio, entrava nos principais rios como o Douro, o Tejo e o Guadiana para se reproduzir, desovando em locais de cascalho com alguma corrente e regressando ao mar logo após a postura. Agora está extinto das nossas águas, sendo os últimos registos de ocorrência da década de 80 do século passado, no rio Guadiana. O maior exemplar documentado em Portugal, com 3,75 m e 275 kg, foi capturado no rio Tejo, em Valada, em 1321 no reinado de D. Dinis.

Foi uma espécie com um elevado valor comercial em Portugal, sobretudo pela qualidade da sua carne, uma vez que as gónadas (ovas), muito utilizadas em várias regiões da Europa para a produção de caviar, nunca foram objeto dessa exploração no nosso país. Em Mértola, vila ribeirinha do rio Guadiana, esta espécie terá sido tão relevante que foram cunhadas moedas com a sua imagem, no século I a.C..

O declínio desta espécie terá começado ainda na Idade Média devido à pesca, vindo agravar-se nos sécs. XIX e XX com a perda de habitat provocada pela construção de barragens e outros obstáculos que interrompem a continuidade longitudinal dos rios, a que acresce outras ameaças como a poluição e a remoção de materiais inertes que destroem as zonas de desova.

 

 

Extinct from our waters: the sturgeon

In this month of September, which marks the World Rivers Day, we highlight the sturgeon, a species that was once very abundant in rivers in Europe and is now considered Critically Endangered.

Sturgeon or sole had, in the past, a wide distribution, from Norway to the Bay of Biscay, and is currently restricted to the western Atlantic, with only a breeding population in the Garonne delta, in France. In Portugal, this migratory giant, scientifically named Acipenser sturio, used to enter the main rivers such as the Douro, the Tagus and the Guadiana to reproduce, where it spawned in gravel places with some current, returning to the sea soon after laying. Now it is extinct from our waters, with the last records of occurrence from the 80s of the last century, in the Guadiana River. The largest specimen captured in Portugal measured 3.75 m and weighted 275 kg, and was fished in the Tagus River, in Valada, in 1321 during the reign of D. Dinis.

It was a species with a high commercial value in Portugal, mainly due to the quality of its meat, since the gonads (roe), widely used in various regions of Europe for the production of caviar, were never exploited in our country. In Mértola, a riverside village on the Guadiana River, this species was so relevant that coins with its image were minted in the 1st century BC.

The decline of this species began in the Middle Ages due to fishing, and worsened in the 19th and 20th centuries, with the loss of habitat caused by the construction of dams and other obstacles that interrupt the longitudinal continuity of the rivers, in addition to other threats such as pollution and the removal of inert materials that destroy the spawning areas.

 

Texto de I Text by: Judite Alves
Fotografia de I Photo by: Luís Filipe Lopes

 

 

PROGRAMA ALARGADO

15 setembro | 15h00
Palestra sobre peixes dos nossos rios

Mais informações aqui.

Assista em direto no YouTube do MUHNAC.