Mina da Panasqueira

Exposição de fotografia de Luís Pavão

Quando: 
18 de Maio de 2022 a 31 de Julho de 2022
Onde: 

Exposição "Jóias da Terra: O minério da Panasqueira" | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Fotografias tiradas da gaveta

A exposição A Mina da Panasqueira do fotógrafo Luís Pavão[1] nasce de um desafio feito ao autor para que dê a conhecer a série de fotografias realizadas em 1974 dos mineiros e dos trabalhos na mina. O propósito deste repto é a existência no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da exposição, Jóias da Terra: O minério da Panasqueira.  “Nesta exposição é possível conhecer inúmeros aspetos da história e da vida da mina que incluem a sua formação e evolução geológica, as diferentes artes mineiras empregues ao longo dos tempos, ou mesmo as aplicações à vida quotidiana do principal metal aí explorado – o volfrâmio. A exposição inclui igualmente uma seleção dos melhores espécimes das vastas coleções do museu.”[2]

Luís Pavão, então estudante do Instituto Superior Técnico, juntamente com outros estudantes envolvidos nas lutas estudantis, foram para interior do País, na sequencia do 25 de abril, falar com as pessoas que aí moravam para conhecer as suas condições de vida. Em Agosto de 1974, deslocaram-se à Mina da Panasqueira[3] e ficaram muito entusiasmados com o trabalho que ali era desempenhado, decidiram pedir autorização para fazer um filme dentro da mina e na aldeia circundante. Verificaram então que o 25 de Abril ainda não tinha chegado à mina da Panasqueira.

Um dos estudantes que acompanhou o Luís Pavão foi José Manuel Costa, grande entusiasta do cinema, que propôs a realização de um filme. O grupo passou seis dias a filmar e a fotografar a Mina da Panasqueira, vivendo com os mineiros na aldeia da mina. Os filmes do José Manuel estragaram-se na Kodak Portuguesa e nunca foram apresentados.

Citando o Luís Pavão, “esta aventura está repleta de episódios engraçados, por exemplo uma das raparigas que foi connosco não podia entrar na mina, porque eles dizem que dava azar, as mulheres não podem entrar na mina. Então, ela foi vestida de homem.”

Depois de selecionadas, optámos por apresentar dezoito fotografias a preto e branco representativas das cenas quotidianas da mina. As pessoas que estão retratados nas fotografias viviam na aldeia da Panasqueira. As fotografias são sobretudo da superfície porque quando estávamos no interior da mina trabalhámos sobretudo no filme. Pensámos que as imagens em movimento e a cor no subsolo seriam complementadas com as imagens fixas e a preto e branco feitas à superfície. Afinal o filme foi arruinado no laboratório e sobraram as fotografias do exterior.

Podemos ver numa das fotografias uma radiografia aos pulmões de um dos mineiros. Uma das doenças profissionais mais frequentes na mina era a silicose, que resulta da inalação de poeira de sílica. A silicose manifestava-se ao fim e alguns anos de trabalho no interior, retirando a capacidade de respirar pela inalação do silício, o pó que eles respiram deste minério ia-lhe danificando os pulmões.

Noutra das fotografias, pode ver-se a fila de mineiros a receberem o seu ordenado que era pago ao sábado. Numa outra, um mineiro a ser revistado.  A mina era muito policiada.

Estas fotografias que tiveram dentro de uma gaveta durante quase cinquenta anos são um contributo indiscutível para a memória da Mina da Panasqueira e uma mais-valia para o museu. Desta forma pode dar-se a conhecer aos seus visitantes um pouco da vivência da mina e de quem lá trabalhou.  “A forma estética não se opõe ao conteúdo, nem mesmo dialeticamente. Na obra de arte, a forma torna-se conteúdo e vice-versa.”[4] É importante dar a conhecer a cultura e difundi-la, as fotografias aqui apresentadas são disso testemunho e remetem-nos para a necessidade de Luís Pavão registar o quotidiano como um acto de criação artística.

As fotografias foram realizadas em dezembro de 1974, em filme negativo a preto e branco, formato 35mm Os rolos foram revelados e impressos pelo Luís Pavão nessa data. Mais recentemente foi feita a digitalização dos negativos. A impressão destas provas em jacto de tinta foi realizada pela Black Box Atelier.

Sofia Marçal




[1] Fotógrafo e conservador das coleções de fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa.

[3] “A mina da Panasqueira é a única mina de volfrâmio a laborar na Europa e uma das poucas em todo o Mundo O jazigo mineral corresponde a um vasto campo de filões onde, associado ao quartzo, ocorre uma importante e rica mineralização de tungsténio (volfrâmio). Os minerais presentes nos minérios da Panasqueira são conhecidos pela sua beleza, qualidade e dimensão. A mina da Panasqueira encontra-se em laboração há mais de um século. ”in: https://museus.ulisboa.pt/pt-pt/joias-da-terra-o-o-minerio-da-panasqueira.

[4] Herbert Marcuse, in: A Dimensão Estética, p.44.

 

 

 

Curadoria: Sofia Marçal

Inauguração: 17 maio, das 18h00 às 20h00

 

 

 

Exposição de Arte e Ciência