MUHNAC ajuda a identificar origem da mais antiga tabela periódica usada no ensino na Europa

Universidade de St. Andrews descobre a mais antiga tabela periódica dos elementos químicos conhecida usada no ensino, que data 1885, e coleções do MUHNAC-ULisboa contribuem para a identificação da sua origem.

© Universidade de St. Andrews

A propósito das comemorações do Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, instituído pelas Nações Unidas, para celebração dos 150 anos da criação da primeira tabela periódica dos elementos químicos por Dmitri Mendeleev, recentemente, a Universidade de St. Andrews, da Escócia, apresentou no Parlamento Europeu o mais antigo exemplar conhecido da tabela periódica usado no ensino, que data 1885.
 
Esta tabela terá sido encontrada, em 2014, no Departamento de Química da universidade escocesa aquando de umas limpezas no local. Encontrava-se juntamente com outros documentos “esquecidos” e os especialistas contam que quando começaram a desenrolar a tabela estava muito frágil e num avançado estado de deterioração. «Estava enrolada e tinha vincos e marcas. Estava muito quebradiça e frágil. Teve de ser submetida a um extenso tratamento de conservação», explica M. Pilar Gil, investigadora da Divisão de Coleções Especiais da Universidade de St. Andrews.
 
Mal encontraram a tabela houve suspeitas de que poder-se-ia tratar de um exemplar muito antigo, o que exigia não apenas um tratamento de conservação urgente mas também um melhor conhecimento da sua história e verdadeira origem.
 
Na tabela que está anotada em alemão, consta uma inscrição na parte inferior esquerda - Verlag v. Lenoir & Forster, Wien – que identifica a editora que operava em Viena entre 1875 e 1888. E numa segunda inscrição - Lith. von Ant. Hartinger & Sohn, Wien – surge identificado o litógrafo da tabela que morreu em 1890.
 
De seguida, a investigação levou M. Pilar Gil a encontrar nos serviços financeiros da Universidade St. Andrews um comprovativo de uma compra realizada em outubro de 1888, por Thomas Purdie (professor de Química), de uma tabela de 1885, que constava num catálogo alemão de C Gerhardt (Bonn), pela soma de 3 marcos.
 
«Procurei na internet por museus, bibliotecas e coleções catálogos de fabricantes listados. Não consegui encontrar muitos sítios. Depois, estendi a minha pesquisa e encontrei uma tese da Universidade de Lisboa que citou na sua bibliografia o catálogo em que estava interessada». 
 
Um catálogo que faz parte da Coleção de Catálogos de fabricantes da Biblioteca do MUHNCA-ULisboa, composta por 601catálogos até agora listados e que permitem obter informação e identificar equipamentos que são hoje peças de coleções de artificialia. 
 
Foi então que M. Pilar Gil contactou as especialistas do Laboratório de Conservação e Restauro do Museu que auxiliaram na sua investigação, e solicitou a pesquisa de entradas Wandtafeln (que em francês poderia ser Tableau) nos catálogos de C Gerhardt (Bonn), de 1884 a 1888.
 
«Só tenho bem a dizer sobre a forma como o MUHNAC lidou com o meu pedido e enalteço o profissionalismo do pessoal que se envolveu», afirma M. Pilar Gil e acrescenta que «a troca de informação é chave para o desenvolvimento global da investigação e a cooperação e colaboração tem de ser encorajadas e alimentadas».
 
A especialista refere ainda que «as coleções científicas são uma ferramenta incalculável para saber mais e compreender o progresso científico. O meu estudo sobre a proveniência da tabela periódica de St. Andrews demonstrou que mesmo estas simples publicações como catálogos de compras podem ser uma ajuda indispensável na descoberta e na investigação».
 
Após o envio dos documentos pela equipa do MUHNAC para a Universidade de St. Andrews (ver fotografia), a especialista conseguiu acrescentar informação essencial para confirmar a data e origem da tabela periódica mais antiga conhecida no ensino na Europa.
 
Para além disso um especialista na história da tabela periódica da Universidade da Califórnia, Em Los Angeles, datou a tabela entre os anos de 1879 e 1886 com base nos elementos químicos representados.
 
Atualmente, a tabela está guardada nas salas de armazenamento com clima controlado da Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca da Universidade St. Andrews, mas existe em exibição uma réplica na Escola de Química da instituição.
 
Os resultados desta investigação foram publicados na edição de fevereiro de 2019 da revista Chemistry Word, da Royal Society of Chemistry. M. Pilar Gil não tem dúvida que esta descoberta «é significativa porque encontrámos aquilo que pensávamos. Esta é a mais antiga tabela periódica usada no ensino que sobreviveu. Partindo do princípio que as tabelas periódicas estão penduradas nas salas de aulas das escolas em todo o mundo e nas salas das Universidades, em qualquer local que a química é ensinada, esta descoberta é notável e digna de nota», conclui.