Mastodontes em Lisboa…

há 16 milhões de anos

Sim, viveram Mastodontes na região de Lisboa. Os seus fósseis ficaram preservados em formações geológicas datadas de há cerca de 18 a 11 milhões de anos e constituem o chão de grande parte da cidade. Os mais frequentes pertencem ao género Gomphotherium que faz parte uma família de proboscídeos extintos há cerca de 5 milhões de anos e diferente quer da família a que pertencem os elefantes, quer daquela a que pertencem os mamutes.

Aquele intervalo de tempo geológico registado em Lisboa situa-se na época geológica que designamos por Miocénico (23 a 5 milhões de anos). Então, sob um clima quente e húmido de pendor subtropical, alternaram períodos em que a região estava inundada pelo mar, formando um grande golfo, com períodos em que as águas do mar se retiravam dando lugar ao desenvolvimento de um extenso delta correspondente à parte terminal de um rio que podemos considerar um pré-Tejo. Nas ilhas e ilhotas desse delta viviam os Mastodontes, entre outros mamíferos como os ancestrais dos atuais rinocerontes, hipopótamos e carnívoros.

Os Mastodontes, ao irem dessedentar-se nos braços de rio ou nos canais de estiagem, poderiam ser arrastados por cheias súbitas ficando os seus restos depositados nos sedimentos. Chegaram, assim, até nós na forma de fósseis, sobretudo de dentes, defesas e maxilares, mas também de restos osteológicos vários. Eram herbívoros e possuíam 4 defesas: duas no maxilar superior, e outras duas no maxilar inferior.

Nos anos 40 e 50 do século passado foram recolhidas centenas de exemplares desses fósseis à medida que decorria a construção dos prédios nas Avenidas Novas, Areeiro, Lumiar, Av. Gago Coutinho e Av. do Brasil. O, então, Museu Nacional de História Natural reuniu a mais significativa coleção de fósseis de Mastodonte de Lisboa.

Esta coleção, e o espólio idêntico do Museu Geológico (LNEG), constituem no seu conjunto o maior acervo em Mastodontes da Europa Ocidental.