Lagostins de água doce: espécie invasora vs. nativa

Freshwater crayfishes: Invasive specie vs. native

As espécies invasoras são consideradas como uma das cinco principais causas que levam a alterações globais negativas da biodiversidade. Em Portugal existem cerca de 138 espécies invasoras confirmadas e o lagostim-vermelho-da-Luisiana (Procambarus clarkii) é uma delas. Esta é uma espécie de água doce nativa do centro sul dos EUA e nordeste do México. Em Portugal foi introduzida em 1979 a partir de Espanha e desde então espalhou-se por todo o país, afetando o funcionamento dos ecossistemas dulciaquícolas devido à sua plasticidade biológica e capacidade de adaptação a condições ambientais extremas. Esta é uma espécie omnívora que se alimenta particularmente de macroinvertebrados aquáticos, plantas e detritos. Por outro lado, esta espécie tornou-se rapidamente num recurso alimentar importante para vários predadores nativos de mamíferos e aves, especialmente lontras e cegonhas brancas.

O lagostim-de-patas-brancas (Austropotamobius pallipes) é a única espécie de lagostim nativa de Portugal, mas está extinta ou quase extinta sendo considerada uma espécie em perigo de extinção (EN - estado de conservação da IUCN). A extinção da maioria das suas populações em Portugal é atribuída à destruição do seu habitat natural e mudanças climáticas repentinas, à predação e à exclusão competitiva por P. clarkii e outra espécie introduzida, o lagostim-sinal (Pacifasciatus leniusculus) e ainda à transmissão do fungo, Aphanomyces astaci, pelas espécies introduzidas de lagostim. A baixa resiliência de A. pallipes a condições ambientais extremas e à praga de fungos, juntamente com um curto período reprodutivo e progénie mais reduzida, e um comportamento menos agressivo tornam a espécie mais suscetível à invasão por outras espécies e propensa à extinção.