Plantas e Povos | Núcleo TRANSFORMAR

Ao longo da nossa existência temos usado e valorizado a diversidade vegetal, transformando os materiais que a Natureza fornece em diversos produtos, capazes de atender a novas e crescentes necessidades. Com o aumento das novas tecnologias, as plantas são cada vez mais exploradas pela indústria. 

Atualmente, cerca de 13 000 espécies são listadas como fornecedoras de materiais para elaboração de tecidos e telas, para construção de habitações, para fabrico de mobiliário, de meios de transporte, de instrumentos, de alfaias e de equipamentos, ou mesmo utilizadas como combustíveis. 

Estes usos foram determinantes para a evolução humana, transformando dietas e hábitos sociais, saberes culturais, científicos e tecnológicos. A nossa história está assim estreitamente ligada ao uso artesanal e, posteriormente, industrial das plantas. Usamos no nosso quotidiano as fibras vegetais presentes nos caules, folhas, raízes, cascas e sementes – desde a roupa que vestimos ao papel em que escrevemos – e conseguimos identificar madeiras, resinas, borrachas ou pigmentos na maioria dos equipamentos, construções e produtos que nos rodeiam.

TRANSFORMAR | CONSTRUIR

Madeiras
As madeiras estão entre os materiais vegetais mais importantes. Para além de servirem como combustível, diretamente ou sob a forma de carvão, são usadas desde o Neolítico para a construção de abrigos ou de meios de transporte. Têm usos muito diversos que vão desde a construção de habitações, mobiliário e utensílios domésticos, agrícolas, de caça e de pesca até ao fabrico de produtos de alto desenvolvimento tecnológico. O uso da madeira marcou épocas, servindo para a construção das naus no período dos descobrimentos portugueses ou impulsionando a Revolução Industrial com a produção de carvão.

 

 

 

Amostras de goma
IICT/ SGL nr.172
IICT/ SGL nr.192

 


Látex, resinas e gomas
Pastilhas, gomas, gelados, pneus, tintas, selos… em comum a presença de substâncias libertadas pelas plantas – látex, resinas ou gomas com propriedades específicas muito diversas como consistência, elasticidade, impermeabilidade ou aderência. As plantas produzem-nas como mecanismo de defesa face a ferimentos causados por animais, agentes patogénicos, intempéries ou cortes. Conhecidas desde a Antiguidade, um dos exemplos mais comum é a goma-arábica, usada há cerca de 4 000 anos no Antigo Egito, para a produção de cosméticos, perfumes e no processo de mumificação.

Corantes e pigmentos
Corantes e pigmentos são substâncias obtidas de fontes naturais e que dão cor aos materiais; os de origem vegetal são extraídos de várias partes das plantas (madeira, raízes, frutos, cascas, folhas) mas podem também ser obtidos em fungos e líquenes. Os corantes são solúveis e usados para tingir tecidos, papel, alimentos ou outros materiais; os pigmentos são insolúveis e usados maioritariamente em tintas, cerâmica e cosméticos. Usamos pigmentos desde a Antiguidade para tingir tecidos e decorar túmulos. Hoje ainda são usados em pinturas faciais (praticadas por alguns povos), na arte ou na gastronomia, sendo, frequentemente, sintetizados em laboratórios.
 

TRANSFORMAR | TECER

As fibras vegetais apresentam excecionais propriedades físicas: flexíveis, resistentes a danos e abrasão e pouca elasticidade. São usadas há milénios, como sugerem evidências indiretas - objetos perfurados, marcas de desgaste em artefactos e agulhas de osso, e evidências diretas que permitem datar cordas e nós com 15 000 – 17 000 anos. As primeiras fibras a serem utilizadas em tecidos foram o algodão e o linho, o primeiro na última era glaciar (entre 110 000 e 15 000 anos a.C.) e o segundo há mais de 5 000 a.C., nas mortalhas dos faraós egípcios. Existe uma grande diversidade de tipos de trançados, desenvolvidos pelos diferentes povos em função das suas necessidades e das caraterísticas das fibras disponíveis. Para além de tecidos, tapetes, artefactos e objetos do quotidiano, tão diversos como escovas ou esfregões, as fibras vegetais são a matéria-prima do papel, um material que, desde a sua invenção, acompanha a civilização humana.

 

 

 

 


Algodoeiro-americano
Gossypium Barbadense L.
MUHNAC-JB3E376 | Welw. Coll. Carpológica nº260

 

 

 

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