De volta a casa

O Herbário da Universidade de Lisboa regressa às suas instalações

Transporte de Feto arboreo

Três anos depois da sua transferência para instalações provisórias, devido a obras de requalificação do seu edifício histórico, o Herbário da Universidade de Lisboa regressa ao seu local de origem.

Além da coleção original, o novo edifício do Herbário recebe também as coleções provenientes do Instituto de Investigação Científica Tropical que se encontravam na Rua da Junqueira, em Lisboa, e que foram transferidas para o Jardim Botânico de Lisboa.

Deixamos o testemunho de quem acompanhou este processo a par e passo:

"Por fim o Herbário da Universidade de Lisboa voltou a casa! E agora acompanhado e reforçado pelas magníficas colecções do Instituto de Investigação Científica Tropical que, da Junqueira, se mudaram também para esta nova residência. Foi uma espera longa, durante a qual o edifício cor-de-rosa, situado na parte superior do Jardim Botânico, foi submetido a obras de reforço de estrutura, pintura, instalação de climatização e novo mobiliário. 

Mas primeiro foi preciso esvaziá-lo, começando pelo piso superior, onde se encontrava a biblioteca botânica, depois o herbário de vasculares no piso intermédio e, por fim, as colecções de ‘criptogamia’, que ocupavam o piso térreo… meses e meses em que os colaboradores do herbário e banco de sementes catalogaram e embalaram as fiadas de livros e revistas, as folhas e pacotes de herbário, os ‘objectos naturais’. Na Junqueira, a azáfama era idêntica. Tudo tinha de ser devidamente referenciado para poder ocupar o lugar correspondente quando o edifício estivesse nas devidas condições. Ao todo mais de meio milhão de espécimes, material frágil e insubstituível, estiveram envolvidos em todo este processo.

O herbário é um recurso essencial para a investigação em biodiversidade, ecologia e evolução. Os espécimes de herbário, devidamente etiquetados, encerram todo um conjunto de informações que permitem saber qual o aspecto das plantas, a sua localização geográfica, o ambiente onde se encontram, o seu período de floração e produção de sementes, a ocorrência de variações morfológicas e químicas, quais as espécies ameaçadas de extinção, a descrição de novas espécies. Servem ainda para validar observações científicas e também para tornar acessíveis amostras de ADN, utilizadas nos estudos de filogenia.

Neste momento estamos em plena extinção do Antropoceno, a 6ª grande extinção, em grande parte devida à actividade humana. Estima-se que cerca de 1 milhão de espécies poderão desaparecer nas próximas décadas. Todos os dias assistimos à destruição de ecossistemas e, em consequência, muitas espécies não serão descobertas. As plantas, as algas, os fungos e os líquenes são essenciais para a vida na terra. São os grandes fornecedores de alimentos e oxigénio para grande parte dos organismos vivos, disponibilizam abrigo e remédios, estabilizam os solos, ajudam a regular o ciclo da água, reciclam os materiais.

Nunca como agora os herbários foram tão importantes. É preciso continuar a enriquecê-los e dotá-los de meios humanos, especializados em taxonomia, e materiais suficientes que lhes permitam continuar a desempenhar a sua função. 

Os curadores do Herbário"