A line is a li e is alive

Uma exposição do artista Joao Felino

Joao Felino: Linha: a line is a li e is alive, inscrição sobre Piranha Elegance 300; vara telescópica do tipo cana de pesca; fibra fenólica; comprimento total 3 metros; 3 elementos de 1,00 metro quando retraídos (não totalmente estendida); peso total 220 gr; preto e cor-de-laranja; linha de pesca e anzol; dimensões variáveis de acordo com o espaço; 2013

Quando: 
11 de Março de 2022 a 30 de Abril de 2022
Onde: 

Átrio | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Em busca do tempo perdido[1]

 

A exposição a line is a li e is alive, de Joao Felino, é o resultado deliberado e organizado de construção de um percurso expositivo apresentado em três locais do museu, constituindo três núcleos distintos, no ultimo destes; no átrio, na escadaria junto ao retrato da Rainha D. Amélia e no corredor da zoologia. Joao Felino trabalha mais as metodologias de síntese do que metodologias exclusivas, o seu trabalho reflete um longo caminho na representação de coisas que existem ou que possam existir.

 

A peça a line is a li e is alive nesta sua configuração especifica a preto e amarelo, começou por ser apresentada no espaço da galeria, na Cristina Guerra Contemporary Art, posteriormente no contexto de uma feira de arte, de desenho, na Drawing Room 2018, na SNBA, e encerra agora este périplo de natureza semântica muito significativo, no átrio do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, local onde outrora esteve o Pêndulo de Foucault, de 1992 a 2011. Com este trabalho Joao Felino pretende revisitar o pêndulo, situá-lo no seu contexto de origem. É possível fazer o cruzamento entre a arte e a ciência, entre o passado e o presente, num mundo das representações. “Foi então que vi o Pêndulo. A esfera, móvel na extremidade de um longo fio fixado à abóbada do coro, descrevia suas amplas oscilações em isócrona majestade. Eu sabia — mas quem quer que o tivesse advertido no encanto daquele plácido respirar — que o período era regulado pela correlação entre a raiz quadrada do comprimento do fio e a do número π, o qual, embora irracional para as mentes sublunares, relaciona, por alguma razão divina, a circunferência ao diâmetro de todos os círculos possíveis — de modo que o oscilar de uma esfera de um polo a outro decorre de uma arcana conspiração entre a mais intemporal das medidas.”[2] A maneira como esta peça está instalada no espaço vai originar diferentes leituras, distanciamentos, mas ao mesmo tempo aproximações e como diz Joao Felino, “é o acto de desenhar uma linha no espaço.” (Leia mais aqui)

 

Sofia Marçal, curadora

 


[1] Título de um livro de Marcel Proust. 

[2] Umberto Eco, in: O Pêndulo de Foucault, p.7.

 

Exposição de Arte e Ciência