MUHNAC expõe a maior tela do mundo pintada por robots

A maior tela feita por robots, assinada pelo artista Leonel Moura, está exposta na fachada lateral do Museu a partir de hoje. 

Leonel Moura, artista

Depois de Moscovo, Pequim, Paris, chega agora a vez do artista Leonel Moura expor em Lisboa, mas em grande escala. Esta não é uma exposição qualquer. Já que o artista, que gosta de trabalhar em telas de grandes dimensões, escolheu elaborar e expor a maior tela do mundo feita por robots, com 8X16 metros, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, da Universidade de Lisboa.

«Eu gosto de coisas grandes e há muito tempo que eu gostava de fazer um telão enorme com os robots. Surgiu a oportunidade de fazer aqui no Museu e pôr na

fachada e vai ficar fabuloso. É uma coisa única, porque ninguém fez um telão desta dimensão. Nem eu», afirma o artista.

Durante cerca de uma semana (de 26 de maio a 2 de junho), a tela ocupou o Picadeiro do Colégio dos Nobres no Museu, onde o público pode acompanhar o trabalho de 8 robots equipados com ultrassom (para evitar objetos) e com sensores de cor e de som.

Com base nestes hardwares e de um algoritmo específico, os robots pintaram durante dias. Para Leonel Moura, faz todo o sentido expor esta tela no MUHNAC dado que «o comportamento dos robots tem uma base biológica», mais especificamente um algoritmo desenvolvido nos anos 90 por um cientista italiano que simula o comportamento das formigas: o algoritmo de formigas.

«O meu modelo de inteligência e criatividade fui buscar às formigas», afirma Leonel Moura e explica que «as formigas fazem carreiros para ir buscar comida e outras tarefas deixando um rasto de feromona. Depois vem outra formiga e deteta o químico e segue o caminho. O que o cientista fez foi criar um algoritmo com uma feromona virtual. Quando vi o algoritmo pela primeira vez fiquei fascinado».

«É evidente que eu não vi carreiros de formigas, eu vi desenhos. Pensei: este algoritmo está a fazer um desenho sozinho a partir do nada. Nunca tinha pensado nessa possibilidade, um desenho auto gerado, auto-organizado. Comecei a trabalhar muito com esse algoritmo, fiz muitas coisas no computador e depois vi que podia usar esse algoritmo, programar robots e substituir a feromona por cor. No fundo estas “pequenas formigas” são atraídas pela cor e quando vêm cor fazem qualquer coisa».

E é exatamente essa a essência do trabalho de Leonel Moura: que os robots possam criar livremente, de acordo com padrões biológicos e de forma autónoma e não automática e controlada. «Como sabemos o comportamento biológico não são 0s e 1s, tem mais variações, tem coisas inesperadas. Portanto, concebi os meus robots com base nessas ideias, ou seja, estes robots fazem coisas que era suposto e fazem outras que não era suposto. Há aqui este lado biológico» e «nesse aspeto fui pioneiro porque fui o primeiro artista do mundo a usar robótica desta maneira».

Com a tela já terminada, no dia 21 de junho ficará exposta na fachada lateral do MUHNAC, onde permanecerá até dia 27 de novembro.

 

Texto Lúcia Vinheiras Alves