Musaranho-fingui (Crocidura fingui)

Musaranho-fingui (Crocidura fingui) uma nova espécie de mamífero da ilha do Príncipe.

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Musaranho-fingui (Crocidura fingui) uma nova espécie de mamífero da ilha do Príncipe.

A ilha do Príncipe alberga uma biodiversidade única, com uma elevadíssima taxa de endemismos, ou seja, espécies que não ocorrem em mais lugar algum do mundo.

O estudo da fauna do Príncipe foi iniciado na segunda metade do século XIX pelo explorador naturalista Português Francisco Newton (1864-1909). Em 1887, Newton enviou, para o nosso Museu, uma remessa de exemplares da ilha do Príncipe,  acompanhada de uma carta (ainda hoje existente nos nossos arquivos históricos) onde se pode ler o seguinte:

"...seis caixas contendo aves, reptis, insectos e várias outras coisas. Vai um exemplar de um rato insectívoro que me parece novo ...".

Em 2013, durante trabalhos de campo na ilha do Príncipe, Luis Ceríaco (Curador da Coleção de Herpetologia do MUHNAC) e Mariana Marques (Colaboradora científica do MUHNAC), colectaram indivíduos do musaranho (“rato insectívoro”) do Príncipe. Estes exemplares foram preparados pelo nosso taxidermista Pedro Andrade. Os espécimes colectados foram alvo de estudos morfológicos e moleculares, de forma a que a sua identidade taxonómica pudesse ser esclarecida. Amostras de tecido dos exemplares passaram a incorporar a Coleção de Tecidos e ADN do MUHNAC e dados genéticos foram produzidos sob a coordenação da Curadora da Coleção de Mamíferos, Cristiane Bastos-Silveira.

Após comparação com outros exemplares de museus, os resultados do estudo permitiram chegar à conclusão que o musaranho da ilha do Príncipe é uma espécie diferente daquelas até então sugeridas por outros autores. O musaranho do Príncipe, foi batizado de Crocidura fingui eé agora o mamífero insectívoro mais recente a ser reconhecido pela comunidade científica.

A descrição desta nova espécie da Ilha do Príncipe reforça a importância do estudo e levantamento da fauna mundial, ainda bastante desconhecida mas cada vez sob maior ameaça, bem como é um claro exemplo do papel fundamental dos museus e das coleções de história natural para o conhecimento e preservação da biodiversidade.