SEEDS

Exposição da artista plástica Isabel Mello

Quando: 
4 de Novembro de 2021 a 28 de Novembro de 2021
Onde: 

Sala Azul | Museu Nacional de História Natural e da Ciência

As árvores dão sementes

A exposição Seeds de Isabel de Mello é composta por desenhos que representam árvores, composições que são o resultado do gosto que a artista tem pela Natureza e pela sua preservação. “No entanto, o que mais me intrigou foi a natureza, ao meu pai também, e assim como eu, olhava as mudanças que se produziam nela. Mas ambos permanecemos em silêncio, incapazes de dizer qualquer coisa um ao outro, exceto ‘maravilhoso’."[1] Para Isabel de Mello a Natureza é das coisas mais bonitas e perfeitas que existem.  A exposição é composta por quatro trabalhos de desenho, cada com 9 a 12 folhas e também cinco trabalhos com pigmento puro. 

O título da exposição, Sementes, é um apelo à consciencialização das pessoas para começarem a plantar árvores em vez de as abaterem. Seeds representa qualquer semente, o trabalho de alimentar, de meter na terra

O projeto de exposição partiu da observação e do registo das árvores que a artista foi encontrando no seu quotidiano. Esta procura constante e quase obsessiva torna o trabalho da Isabel de Mello cada vez mais profundo e intimista. “Quem é sensível à influência da arte mal consegue dar a medida do seu valor enquanto fonte de prazer e consolo para a vida. E, no entanto, a ligeira narcose causada pela arte não oferece mais do que uma fuga efémera às agruras da vida, não tendo um efeito forte o bastante para fazer esquecer o sofrimento real.”[2] Nesta sala do museu onde a dissolução  do espaço de arte com o mundo exterior é evidente, mas potencializador do  idealismo na intenção da artista de alertar para a conservação da Natureza.

Citando a artista, “o meu trabalho relaciona-se de uma forma direta com o mundo natural e é justamente através dessa relação que tem vindo a desdobrar-se em diferentes projetos e registos. Nesse sentido, os desenhos, pinturas ou aguarelas que tenho desenvolvido, baseiam-se na observação da Natureza como nas imagens fotográficas que dela registo, ou que simplesmente encontro. O que suscita a minha atenção pode ser uma planta que nasce no jardim, a floresta perto de casa ou a vivacidade em bruto de uma floresta tropical onde a vegetação irrompe sem pedir licença.” O olhar fugaz e critico da artista é perpetuado nestes desenhos através do lápis, do pincel, da interpretação individual e própria da Isabel de Mello que se vai tornar coletiva pela apreciação dos outros,

Aqui na exposição o tempo suspende-se, temos tempo para a contemplação, para uma aproximação cuidada e meticulosa ao trabalho artístico, ao desenho.  O espaço já não é entendido como uma dimensão neutra onde se expõem desenhos, mas antes um lugar de comunicação, de encontro. “Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informação que nunca chegamos a aprofundar. Tudo transita num golpe ruidoso, veemente e efémero. Na verdade, a velocidade com que vivemos impede-nos de viver. Uma alternativa será resgatar a nossa relação com o tempo. Por tentativas, por pequenos passos. Ora isso não acontece sem um abrandamento interno.”[3]

 

Sofia Marçal




[1] Malevich, in: Colección del Museo estatal ruso, San Petersburgo. cat. expo. Fundación Juan March, Madrid, p.92.

[2] Sigmund Freud, in: O Mal-estar na Civilização, pp.29-30.

[3] José Tolentino Mendonça, in: O pequeno caminho das grandes perguntas, p.120.

 

Curadoria: Sofia Marçal

Inauguração 3 de novembro, 17h00 às 20h00

Exposição de Arte e Ciência