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Projeto 1952

Projeto 1952 | Arquivo em Movimento: entre o bairro e o museu

Um arquivo sensível. Um passado por cuidar. Um presente em movimento. Um olhar para o futuro.

“Arquivo em Movimento: entre o Bairro e o Museu” é um projeto coletivo que parte do arquivo fotográfico das missões antropológicas portuguesas em África, realizadas nas décadas de 1940 e 1950, para propor uma reflexão crítica sobre o passado colonial e as suas reverberações no presente.

Entre janeiro e maio de 2025, um grupo de estudantes, de várias idades e origens, do Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas da Baixa da Banheira/Vale da Amoreira mergulhou num processo de criação artística centrado no movimento, pensamento crítico e cultura visual. Através do corpo e do movimento, da palavra e da imagem, transformaram o museu num lugar de escuta, criação coletiva, diálogo entre gerações e imaginação de futuros.

Este Arquivo em Movimento é feito de muitas vozes, memórias, corpos, territórios e experiências. É feito de travessias entre o bairro e o museu, entre o silêncio do arquivo e a vibração das vidas que nele existem, e resistem. É um convite a ocupar espaços institucionais com outras narrativas, afetos, olhares, onde a arte é lugar de resistência e lugar de encontro.
Panos suspensos no espaço do museu incorporam elementos gráficos criados durante as oficinas pelos participantes deste projeto. A “Mesa do Encontro” acolheu oficinas, olhares sobre arquivos coloniais, e também silêncios, pausas, confidências e afetos. Tornou-se espaço de reflexão, descanso e imaginação coletiva. Sobre a mesa, testemunhos, ecos que atravessam o silêncio do arquivo. A fotografia foi, ao longo dos tempos, um meio de construção de um imaginário colonial quer sedutor e exótico quer assustador. Neste processo, revisitámos fotografias coloniais, produzidas nas décadas de 40 e 50. Procurámos desconstruir os olhares eurocentrados e reconstruir sentidos a partir de experiências próprias e partilhadas. 
O som, composto a partir da escuta e diálogos com os participantes, convida ao descanso e à contemplação através da “Paisagem Sonora”. A instalação integra também vídeo e registos documentais realizados durante o processo e tem como intuito a celebração e a presença do corpo negro em espaços institucionais.

“Acredito que a arte detém um poderoso potencial de intervenção e de transformação, por vezes visceral, e que nos afecta profundamente, principalmente no corpo. As ferramentas e metodologias artísticas têm-nos permitido expor as marcas de um Norte Global incrustado até hoje num passado colonial, repercutindo-se na atualidade em que vivemos. Isso gera e induz-nos a uma certa agência e vontade de mudança e transformação”. 
Angela Guerreiro, coreógrafa e diretora artística

“Participar neste projeto fez-me pensar como a colonização roubou objetos e cultura e também moldou vontades, identidades, até a forma como olhamos para nós próprios, como mostram as fotografias do arquivo do museu tiradas contra a vontade das pessoas. Fez-me pensar também que é importante transformar essa dor em algo que nos permita seguir”. 
Jurema Manuel, estudante e participante
 

Co-Criação Artística Instalação Multidisciplinar: André Xina, Agelton Bom Jesus, Andradina Fernandes, Angela Guerreiro, Ângelo Mateus Rodrigues, Ana Naionça, Aua Na Iongo, Ashanti Silva, Celisa Carvalho, Coba Balde, Conceição Cuteta, Cristiane Almeida, Dito Tehiquina, Domingas Filipe Quizembe, Evelyn Joana Cardoso, Gabriel Peralta Marcelino, Joana Simões Piedade, José Miguel Pires Reis, Julieta Tavares, Jurema Vitória F. Manuel, Isabel Luciana Fasala, Kady de Sousa Cruz, Lili Ié, Maria Augusta Gomes, Mariama Djalo, Mariama Sene Baldé, Matondo Alexandre, Olga Dos Anjos Patricia Manuel, Odete Nanque, Pauleta da Costa, Paulo Antonio Dongoche, ROD, Sandra Mendes, Teresa Flores.

Visão Artística/Curadoria/Mentoria do Movimento e Coreografia: Angela Guerreiro

Mediação/Pesquisa/Entrevistas: Joana Simões Piedade 

Composição Musical: André Xina

Design/Cenografia/Figurinos: ROD
Filme/Fotografia/Documentação: Matondo Alexandre
Desenho gráfico: João Baah & Carolina Elis
Produção / Redes Sociais - Instagram: Iris De Brito
Gestão Financeira: Anabela Rodrigues (GTOLX)
Técnico de Som: Paulo Cerveira
Apoio à tradução Crioulo Guineense e confecção de figurinos: Celisa Carvalho
Tradução Língua Caboverdiana: Ana Josefa Cardoso
Mediadora de cultura visual: Teresa Flores
Entidade Promotora: GTOLX – Grupo de Teatro do Oprimido Lisboa

Entidades financiadoras/Parceiros/Apoios:                    
O Projeto 1952 | Arquivo em Movimento: entre o bairro e o museu integra a iniciativa PARTIS & Art for Change, financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação “La Caixa”, é promovido pelo Grupo do Teatro do Oprimido de Lisboa, em parceria com o Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira (AEBBVA) e a Associação Natureza Arte Corpo e Alma (ANACA). Com o apoio do Centro de Experimentação Artística (CEA) e da REDE DLBC Lisboa (Associação para o Desenvolvimento Local de Base Comunitária de Lisboa).

Agradecimentos:
À equipa do Museu de História Natural e da Ciência: Marta Lourenço, Raquel Barata, Ana Godinho Coelho Dotti De Carvalho, Maria Judite Silva Cardoso Alves, Branca Maria Do Nascimento Rolã Mories. Ao Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira: Dália Sousa, Ana Josefa Cardoso, Gabriel Peralta Marcelino, José Miguel Pires Reis, Vítor Miguel Pereira. Ao Centro de Experimentação Artística: Abílio Marcos e equipa técnica. À Rolaisa Embaló, Elisabeth Challinor e Celisa Carvalho, pela presença durante o processo artístico e o apoio prestado. À Teresa Flores por nos ter introduzido aos arquivos das fotografias coloniais de 1947-1950 das missões coloniais à Guiné-Bissau e a Angola e à sua participação na instalação performativa. Ao Tributo aos Ancestrais: Aristóteles Kandimba, Jessica Bruno e Margarida Semedo. À poeta e escritora Odete Semedo por transmitir a sua sabedoria e mestria do movimento Guineense. Às mulheres ativistas do serviço doméstico (SE.DO) da diáspora de Cabo-Verde e São Tomé em Portugal. A Maria Paula Meneses, Maria João Mota, Narcisa Costa, Cristina Nogueira pela motivação e apoio.