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Equação pessoal

Exposição de Arte e Ciência

Data

9 Maio - 1 Junho 2025

Local

Laboratorio de Química Analítica | Museu

Exposição da artista plástica Maria Máximo

Ao trazer a Ciência para o centro da narrativa artística, esta exposição procura desafiar as fronteiras convencionais, convidando o espectador a observar de perto a experimentação e interligação entre o corpo e a matéria.

Curadoria: Sofia Marçal

Inauguração: 8 de maio, 18h00

CONVITE

 

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A Extensão do Corpo-Máquina

 

Maria Máximo, na exposição Equação Pessoal,[1] utiliza o Corpo como sujeito e objeto, 1funcionando como cobaia num diálogo com outro Corpo — o Corpo-máquina.

Como parte da instalação, é apresentado o vídeo Flatfish Shit (2024), no qual a performance, filmada numa cisterna, é projetada sobre uma tela suspensa na sala. Citando a artista: “Esse espaço austero, outrora destinado à preservação da água, transforma-se num palco onde um aquário redondo se encontra sobre o chão de pedra, contendo um peixe efervescente feito de bicarbonato de sódio. O momento crucial do vídeo ocorre quando, utilizando um arnês e um guindaste, sou elevada para poder executar o ato destrutivo: dissolver o peixe com a minha urina, com o auxílio do urinol.” A tela está instalada com dois pesos laterais suspensos por cordas e roldanas e, num equilíbrio milimétrico, contrabalança uma caixa. Esta, com a aparência de um congelador, contém a roupa utilizada na performance.

Através da utilização do urinol feminino como prótese, a ideia de uma extensão do corpo redefine os seus limites como provocação disruptiva. A continuação do corpo da artista, aliada à destruição voluntária, leva-nos a refletir até onde a expressão artística pode chegar. “Destruo a matéria através da minha urina, neste caso um molde de um linguado que, pela sua forma achatada, permite-lhe deitar-se no fundo do mar, muitas vezes enterrando-se parcialmente na areia, tornando-se quase invisível para predadores e presas. Daí o nome do vídeo Flatfish Shit.” Tornar público um ato privado, onde possivelmente a inutilidade ganha expressão, remete, em última análise, para tudo aquilo que é mais interessante nas obras de arte: pensar, transitar do irreal para o real.

Maria Máximo demonstra interesse pela arqueologia e pela forma como as ferramentas criadas pelo ser humano o auxiliaram nas atividades mais primitivas. Citando novamente a artista: “Por exemplo, o martelo e a alavanca foram algumas das primeiras extensões que permitiram ao ser humano superar limites físicos, acabando por tornar tarefas laborais em operacionais. Esta relação entre o corpo e os seus prolongamentos artificiais desenvolveu-se ao longo do tempo, transformando vários campos — como o clínico, com próteses e dispositivos médicos — até à arte, onde a tecnologia e objetos do dia a dia são apropriados e utilizados para testar o corpo.” A consistência entre o espaço real e o imaginado, e a presença física de um lugar que evoca a sua própria transformação durante um determinado momento, é o centro desta exposição.

A artista proporciona ao espectador uma experiência que já não se limita à duração contida nos limites de uma tela, mas emerge como o instantâneo do corte, da rutura, do equilíbrio, da equação pessoal.

 

Sofia Marçal

 

 

[1] “A equação pessoal refere-se à combinação única de características, habilidades, experiências e motivações 1que uma pessoa traz para uma situação ou problema.” in: Studocu.