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Nestas formas de existência

Exposição de Arte e Ciência

Data

26 Fevereiro - 16 Março 2025

Local

Laboratorio de Química Analítica | Museu

Exposição da artista Catarina Gentil

O principal objetivo da exposição é explorar o conceito de “Casa” na sua existência mais vasta, estudando os espaços de refúgio dos animais (mais especificamente a concha, o ninho, a semente, o ovo e o caracol) para, através deles, compreender melhor os seres humanos e a necessidade de refúgio que todos partilhamos. 

Curadoria: Cláudia Simões e Sofia Marçal

Inauguração: 25 fevereiro, 18h00

CONVITE

 

*****

 

O mundo físico e emocional de Catarina

 

Catarina Gentil encontra no Museu Nacional de História Natural e da Ciência o refúgio para realizar a exposição Nestas formas de existência, o conceito inspirado no livro de Gaston Bachelard,[1] A poética do Espaço[2] e a relação da artista com a casa, com o abrigo, mas também com a prisão. Esta dualidade gera momentos de tensão e aí aparece a criação artística.

O Laboratório é um espaço fechado, mas não deixa que a exposição fique cativa dessa circunstância, a volatilidade e leveza das peças expostas transporta-nos para fora do museu, para essa imensidão física e emocional.

A exposição é composta por instalações escultóricas colocadas no espaço, algumas de uma forma muito subtil, como é o caso de caracóis de porcelana branca espalhados pela sala que contêm segredos que não podem ser desvendados. A peça Peculiares Violências (Catarina) que se encontra instalada no chão da sala é composta por espinhos de silva que a sustêm, parecendo que levita e remete-nos para a impossibilidade da fragilidade e da sua proteção.  A peça A Esperança de um flutuo é inspirada na teia de aranha, feita de linha e contem sementes de dente-de-leão,[3] que ficam a flutuar, é colecionar o efémero e o volátil. Na parede estão dois favos de abelha que guardam pequenas memórias de Catarina Gentil, um com as boas o outro com as más, não estando identificadas.

A peça O impossível retorno no centro da sala, são árvores, onde as aves fizeram os seus ninhos. “A imagem dessas casas que integram o vento, que aspiram à leveza aérea, que põem sobre a árvore de seu inverosímil crescimento um ninho prestes a voar.”[4]Há mais ninhos perdidos, ou não, pela sala na hotte estão dois, mais outro na bancada.

Na bancada da janela, encontra-se uma bacia com água salgada e dentro uma concha com pó amarelo de pétalas secas da planta azeda, .[5]“À concha corresponde um conceito tão claro, tão seguro, tão rígido que, por não poder simplesmente desenhá-la, o poeta, reduzido a falar sobre ela, fica a princípio com deficiência de imagens.”[6]  Fora do laboratório encontram-se ovos feitos em gesso espalhados pelo chão desafiando os visitantes a não os pisarem.

Toda a prática artística de Catarina Gentil começa com uma observação não apenas visual, mas também emocional. Uma prática da atenção daquilo que é tão intrinsecamente humano e tão natural, que se torna invisível.  Como nos diz a artista, “uma ação, um movimento, uma palavra. Um mundo de poesia.” Esta exposição é a casa da Catarina Gentil, o seu ninho. o seu refúgio, onde deixa guardada e por vezes escondida a sua memória, a sua vida.

Sofia Marçal

 

[1] Filósofo, químico e poeta francês, (1884- 1962).

[2]A 1ª edição é de janeiro de 2008.

[3] Taraxacum officinale.

[4] Gaston Bachelard, in: A Poética do Espaço, p.48.

[5] Oxalis pes-caprae, vulgarmente conhecida por erva-canáriaerva-azeda-amarela.

[6] Ob. Cit. P.83.