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Observatório Astronómico da Escola Politécnica

Polo do Príncipe Real


Ao criar-se a Escola Politécnica de Lisboa, em 1837, previu-se, desde a primeira hora, construir um observatório destinado às aulas práticas de Astronomia. Politicamente, era importantíssimo dispor de mapas que permitissem conhecer os limites exatos do território nacional e colónias, organizar a administração, ordenar os círculos eleitorais e fiscais e projetar o desenvolvimento do país, traçando as infraestruturas viárias, telegráficas e ferroviárias que escasseavam em Portugal.

A Astronomia era justamente uma das ferramentas necessárias para se poder concretizar este objetivo. Na época, o primeiro passo no processo de mapeamento, o estabelecimento de uma rede de triangulação primária, dependia da Astronomia. Era recorrendo a esta ciência que se determinava a longitude e a latitude dos pontos geodésicos principais e era em função do cálculo dos azimutes que se orientava a rede de triangulação.

Em 1875, inicia-se a construção do Observatório na zona superior do Jardim Botânico de Lisboa. O corpo principal erguia-se no aterro superior do Jardim, encostado à muralha, ao passo que o corpo secundário do edifício, ocupado por um conjunto de salas de apoio, se encontrava construído junto à própria muralha. Contudo, a decisão de construir o Observatório no extremo do aterro viria a mostrar-se desafortunada a curto prazo. Poucos anos após a edificação, o Observatório começou a apresentar sinais de degradação acelerada resultado da falta de compactação dos terrenos em que havia sido erguido e, sobretudo, da abertura do túnel dos caminhos-de-ferro da linha de Sintra, na década de 1880.

Reconstruído uns metros atrás segundo os planos de Victor Gomes da Encarnação, o novo Edifício (principal) do Observatório foi inaugurado em 1898, sendo o Edifício Anexo anterior.

O Edifício Principal organizava-se em função de duas salas nucleares, a Sala do Círculo Meridiano (ou Sala da Meridiana), na ala norte, e a sala de aula, na ala sul. O piso superior do Observatório era ocupado, como era comum nesta tipologia de edifício, pela cúpula central, acompanhada de duas cúpulas laterais. A morfologia do edifício deixava, deste modo, expressa a sua função: tratava-se de um Observatório dedicado maioritariamente ao ensino da Astronomia Esférica.

Durante o final do século XVIII e século XIX inúmeros observatórios de ensino foram contruídos na Europa, tipicamente associados a universidades. No entanto, sobrevivem apenas três com uma morfologia clara de formação e ensino, nomeadamente através da presença de uma sala de aula concebida no desenho original: os Observatórios de Leiden, Estrasburgo e Lisboa. Acresce a esta raridade o facto de o Observatório constituir parte integrante e indissociável do Jardim Botânico de Lisboa, um espaço de reconhecida importância científica e cultural e um dos mais importantes jardins portugueses, classificado como monumento nacional.

Não tem sido fácil encontrar financiamento para a recuperação dos três blocos do Observatório – edifício principal, edifício anexo e barraca tropical – que já tem um ante-projeto arquitetónico de conjunto, da autoria de João Pedro Falcão de Campos. Em 2021, a Universidade recuperou a cobertura e exteriores do edifício principal.

 

VISITAS
Por fora, o edifício pode ser visitado a qualquer hora, dentro do horário do Jardim Botânico de Lisboa. O acesso à zona da ‘Classe’ é gratuito.


COMO CHEGAR

CLASSIFICAÇÃO
Inserido no Jardim Botânico de Lisboa, Monumento Nacional

Observatório Astronómico da Escola Politécnica (Victor Gomes da Encarnação, José Cecílio da Costa, 1996, 2010)
Inserido em Zona Especial de Proteção (Portaria nº 529/96, DR I Série-B, nº 228, de 01 de outubro de 1996).
Inserido em Zona Especial de Proteção do Jardim Botânico (Decreto nº 18/2010, DR I Série, nº 250, de 28 de dezembro de 2010)

 

Ver mais em M. C. Lourenço (coord.), 2016. A Universidade de Lisboa: Museus, Coleções e Património, Imprensa da Universidade de Lisboa/Universidade de Lisboa.