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Surrender to Nature

Exposição de Arte e Ciência

Data

16 Maio - 18 Julho 2025

Local

Sala exposições temporárias | Museu

Exposição da artista multidisplinar Bárbara Veiga 

Surrender to Nature é um convite para refletir a relação entre a humanidade e a natureza como um ecossistema que integra oceano, floresta e outros habitats. Uma videoperformance em exposição trazendo um acervo de diferentes partes do mundo incluindo a Antártica e a Floresta Amazónica, a experiência integra ainda na abertura uma performance artística apresentada por Bárbara Veiga no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, onde a artista brasileira vai cantar e dançar em resposta ao seu respeito e devoção à natureza. Este é um apelo poético em nome da conservação do planeta no mês de maio, quando as Nações Unidas proclamaram o dia 22 como o Dia Internacional da Biodiversidade para aumentar a compreensão e a consciencialização sobre as questões da biodiversidade.

Curadoria: Sofia Marçal

Inauguração: 15 de maio, 18h00

 

CONVITE

 

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Ode à Natureza

O Museu Nacional de História Natural e da Ciência, é o lugar próprio para a realização da exposição Surrender to Nature da artista visual Bárbara Veiga enquanto espaço de ligação da Ciência com a Arte. A exposição é um convite para refletirmos sobre a relação entre a humanidade e a Natureza como um ecossistema que integra o oceano, a floresta e outros habitats. Entre a performance e a vídeo-instalação o público dança e deambula com a artista Barbara Veiga, “prender a fugaz oportunidade que dançava com os pés leves à beira do abismo. De profundis. Fechar as portas da consciência. A princípio perceber água corrompida, frases tontas, mas depois no meio da confusão o fio de água pura tremulando sobre a parede áspera. De profundis. Aproximar-se com cuidado, deixar escorrerem as primeiras vagas.”[1]Ao mesmo tempo que se conscializam os visitantes para os problemas ambientais.

A exposição é composta por três atos; o primeiro, o filme Surrender to Nature que demorou dois anos para ser desenvolvido, aborda os quatro elementos da Natureza numa poética de alerta para a crise climática.  O vídeo é projetado sobre tecido branco suspenso que nos remete para um paraíso figurativo e como podemos incorporar esses elementos, sentir a floresta, o deserto, a água. “E foi tão corpo que foi puro espírito. Atravessava os acontecimentos e as horas imaterial, esgueirando-se entre eles com a leveza de um instante. Mal se alimentava e seu sono era fino como um véu.”[2] A organicidade e a leveza da vídeo-instalação contrapõe-se com a intangibilidade da Natureza e da sua biodiversidade, Bárbara Veiga é disso exemplo.

O segundo ato, é no Claustro, performance de Bárbara Veiga com 6 músicos, (Katia Leonardo e Mystic vocal). A artista lança sementes de relva como um ato simbólico da fertilização.  A materialização das ideias está na apropriação da materialidade espiritual como ato de criação artística. Com tudo, a obra artística tem a capacidade de se auto questionar, uma vez que integra a sua limitação no seu próprio crescimento. Barbara fez umas bolsinhas em linho com trinta tipos de sementes para oferecer aos visitantes para que eles possam semear ‘amor na terra’ como nos diz a artista, “ao caminharmos juntos vamos estimular esse encontro com a Natureza, em comunhão.” Na exposição a cumplicidade é entre a artista, nós e a Natureza, com o propósito de conciliação, a partir da observação atenta e da ação cuidadora. “O meu braço agita-se, a minha inteligência ativa-se, o meu corpo desloca-se, o meu cérebro calcula. Mas não sou eu, não sou eu que falo, não sou eu que me movimento, nem sequer sou eu que penso: só meus órgãos animados por um outro.”[3] A performance só acontece no dia da inauguração.

O terceiro ato, é na sala de exposição, estamos na era do futuro, a era onde a tecnologia entra na sociedade, nas nossas vidas e como pode ser um benefício para nós, é o momento do Al mirror, uma vídeo-performance desenvolvida com inteligência artificial,  em parceria com os estúdios  204 e RNA que utilizam tecnologia emergente para criar instalações interativas e obras de arte imersivas numa intersecção entre arte, ciência e investigação. A performance é inspirada na relação da artista com a Natureza, nos seus quatro elementos. Uma câmara capta os movimentos Barbara Veiga e transforma-os em elementos da Natureza, ao som de música eletrónica a pensar no futuro do nosso planeta. “O amante da vida universal entra assim na multidão como num imenso reservatório de eletricidade. Pode-se também compará-lo, ele mesmo, a um espelho tão imenso quanto esta multidão; a um caleidoscópio dotado de consciência, que, em cada um dos seus movimentos, representa a vida múltipla e a graça móvel de todos os seus elementos.”[4] A artista pisa a terra para sentir a energia que a liga à Natureza e à tecnologia, “num futuro que vamos dançar, viver juntos.” Numa preocupação ambientalista inserida numa estética de resistência. Barbara Veiga envolve-se emocionalmente, não se trata mais de um processo orgânico, mas sim de um percurso de vida.

Citando Barbara Veiga, “precisamos revolucionar o ambiente no qual vivemos, mudar as nossas decisões quotidianas, reinventar profundamente os nossos hábitos e tomar decisões que estejam alinhadas com dados científicos, numa ética que caminhe junto da preservação do planeta.”

A arte também consciencializa o público para os problemas ambientais, apoia e protege a biodiversidade e a ligação da natureza às comunidades locais. Surrender to Nature, manipulação criativa e racional, protagoniza uma ideia de uma obra orgânica associada a coisas que são complementares, num conceito de permanência e de conexão, refletida na poética da exposição e da crueldade que ela representa.  Se pudéssemos um dia usufruir na sua plenitude da natureza idílica dos campos, dos rios, dos desertos…o que não deixa de ser uma visão romântica, quase artificial, mas possível. 

 

“De cima da árvore olha, e em longo alcance
Vê todos os prodígios destinados
Para o deleite e precisões dos homens;
Num distinto lugar acha em resumo
Da Natureza as opulências todas, —
Ou, melhor, vê ali um Céu na Terra:
Era o jardim de Deus, o Paraíso,
Que ele mesmo plantou no oriente do Éden.”[5]


Sofia Marçal

 

[1] Clarice Lispector, in: Perto do Coração Selvagem, p.98.

[2] Ob. cit. p48.

[3] Frédéric Gros,in: Desobedecer, p.24.

[4] Charles Baudelaire, in: O pintor da vida moderna, p.20.

[5] John Milton, in: Paraíso Perdido, p.118.